E, finalmente, após duas semanas de muita correria, acabou o V Fantaspoa, que foi um enorme sucesso aqui em Porto Alegre.
Além de elogiar os organizadores e agradecer ao Primati pelo excelente curso que também terminou hoje, deixo meus brevíssimos comentários sobre a maratona de filmes deste domingo, 19 de julho.
- Sangue na estrada (Blood in the highway) – Indicação certeira do Primati, este é um filme muito divertido sobre um trio de jovens esquisitos que chega a uma cidade do interior dos EUA dominada por uma praga de vampiros-zumbis.
Produção independente estrelada por um elenco obscuro formado por sósias de atores famosos (em particular da “Buffy” Sarah Michele Gellar, imitada pela estreante Robin Guerhart), essa comédia escrachada e agressiva brinca com os clichês de uma série de clássicos do horror americano (e mesmo de outros gêneros), num ritmo muito rápido e com algumas tiradas ótimas.
Trata-se, obviamente, de um subproduto para fãs de filmes de horror - mas, pelo menos dentro desse escopo, funciona muito bem.
- Fanboys – Na sessão surpresa das 17hs, fomos surpreendidos com um longa mais “mainstream”: “Fanboys”, dirigido por Kyle Newman, de The Hollow.
Nesta produção mais cara que a maioria dos filmes em cartaz no Fantaspoa, temos um grupo de nerds fanáticos por “Star Wars” que, a seis meses da estréia do Episódio 1, descobre que um deles está para morrer. Então, eles decidem invadir a casa de George Lucas para conferir o copião do filme.
Estrelado por elenco jovem de terceira linha (e por veteranos de primeiríssima, como William Shattner e Carrie Fisher, além de Danny Trejo), o longa não começa muito bem, mas acaba “pegando no tranco”, e faz a platéia rir o tempo todo – pelo menos no caso de uma platéia como a do Fantaspoa, repleta de fãs da série.
Longe de ser uma obra-prima, “Fanboys” merece louvor por alguns momentos hilários, como a briga dos heróis com fãs de “Star Treck”, as participações dos atores veteranos e a discreta ironia final.
- Patrícia Gennice - O primeiro longa do jornalista, cineasta e pesquisador Felipe M. Guerra, agora em versão “recut”, repetiu no Fantaspoa o sucesso que fez na mostra Cinema de Bordas, realizada no Itaú Cultural de São Paulo, em abril deste ano.
Realizado na cidade gaúcha de Carlos Barbosa, em 1998, num esquema “de guerrilha” e com um custo de cerca de 100 reais (isso mesmo!), ”Patrícia Gennice” é uma pérola do cinema amador brasileiro, e, apesar da precariedade absoluta da produção, tem um roteiro bem melhor do que várias bobagens infinitamente mais caras vistas no festival. Tanto assim que o público entrou na brincadeira e ficou na Sala P.F.Gastal para o divertido bate-papo com o diretor após a exibição.
Na história, o jovem Lucas, interpretado por Fabiano Taufer, tem a chance de sair com a bela Patrícia Gennice, mas, para isso, terá que enfrentar uma série de “provações” ao longo de uma noite. Segundo o diretor, seu filme é inspirado no clássico “Depois de horas”, de Scorcese. Além dessa referência evidente, os cinéfilos perceberão muitas outras, da trilha aos diálogos.
- Quiropterofobia - Seu diretor, Fernando Mantelli, é um dos cineastas mais competentes do Rio Grande do Sul. Ele não é muito conhecido entre seus conterrâneos, em parte, por causa do gênero que elegeu para todos os seus filmes - o horror -, mas tem conseguido, a cada nova realização, atrair novos fãs.
Neste curta (que participará da mostra competitiva nacional do Festival de Gramado), Mantelli traz de volta sua obsessão por horrores relacionados à gravidez, embora, desta vez, numa trama paralela à principal. Na história, temos um psicopata com paranóia de morcegos (interpretado por Nelson Diniz) que aprisiona um casal e um taxista numa casa abandonada para extrair e beber o sangue das vítimas.
Apesar de ser uma investida tecnicamente bacana do realizador no subgênero torture porn, o filme sofre com o roteiro muito fraco assinado por Tiago Rezende, trazendo informações demais e deixando muitas pontas soltas. Um filme interessante, mas bastante irregular.
- O monstro de um olho só (One eyed monster) – Quem estiver atrás de um filme fantástico que possa ser chamado de “único” precisa ver esta bizarrice dirigida pelo compositor e cineasta Adam Fields em 2008.
Não adianta contar muita coisa, mas, basicamente, trata-se de uma equipe em produção de um filme pornográfico que é atacada por um pênis assassino.
Estrelado por veteranos atores de filmes pornográficos (Ron Jeremy e Veronica Hart), é um filme bem feitinho, muito engraçado, mas que dificilmente entrará em circuito comercial. Então, recomenda-se não perder a oportinidade de vê-lo, caso esta apareça.