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MFL 2017 – Mostra do Filme Livre




*ESTAFETA – LUIZ PAULINO DOS SANTOS

Por Cid Nader

Estafeta – Luiz Paulino dos Santos (média)
Direção: André Sampaio
Duração: 55min.
UF/Ano: RJ/2008

A figura de Luiz Paulino dos Santos é meio messiânica nos dias de hoje (texto feito em 2008), e o comportamento ainda é de cineasta - havia entrado na sala de imprensa (na Mostra de Tiradentes) com sua barba comprida e branca, estatura baixa, jeito de oriundo dos rincões do sertão, filmando com uma pequena câmera digital a tudo e a todos. É figura que habita os conhecimentos de quem está mais dentro do mundo do cinema - pouco conhecido pelos leigos -, principalmente por conta da conturbada história da realização do clássico Barravento, dirigido por Glauber Rocha. Acaba comparecendo nos letreiros do filme como produtor da obra - função que mais o marcou na história da confecção de filmes -, mas o que existe por trás parece ter determinado fortemente o que sucedeu em sua vida particular.

Resumindo: foi o autor da ideia do filme e o primeiro diretor contratado para realizá-lo: mas como é de conhecimento geral, Barravento acabou dirigido por Glauber. O documentário do carioca André Sampaio evidencia uma das versões para que a troca de diretores tivesse ocorrido. Narrada da própria boca de Paulino, bota força na versão que diz ter ele se preocupado demais com o tempo de preparação dos atores e com a sua não conivência, ou concordância, com os tempos de ação exigidos pelos produtores. Foi destituído e acabou indicando Glauber para a direção da obra. Essa é uma das versões, a particular, mas que o documentário evidencia como uma ação que não deixou mágoas ou ressentimentos, como algo que impedisse o porvir de relação entre os dois - há algumas, extraoficiais, sendo que a mais forte fala de uma súbita paixão que ele teria sentido pela primeira atriz pensada para o trabalho, que o teria tirado do prumo, atrasado o trabalho, e feito com que ele gastasse parte do dinheiro na relação.

O trabalho documental de André é correto; um tanto "quadrado", mas, talvez, acertado em tal opção mais comedida. Há figuras que falam por si. Há figuras desconhecidas e que ganham por parte dos documentários um veículo de divulgação. André Sampaio pretende apresentar um Paulino para quem não conhece - e aí é exato, deixando que ele conte suas mazelas -; pretende reapresentá-lo a quem já sabe dele e de sua mazela - e aí é exato, porque traz para primeiro plano a vida "desconhecida" dele, a subsequente (aliás, bastante pitoresca, inventiva, com intromissão até na seita do Santo Daime). Se é um pouco "quadrado" em sua opção de apresentar com calma e sem sustos sua história, termina belo, com as imagens e as músicas do ritual do Daime.




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