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MOSTRA TIRADENTES ANUNCIA TEMÁTICA DE SUA 14a EDIÇÃO E PRESTA HOMENAGENS AO ATOR IRANDHIR SANTOS E AO CINEASTA PAULO CESAR SARACENI




14ª Mostra de Cinema de Tiradentes
21 a 29 de janeiro de 2011


INQUIETAÇÕES POLÍTICAS EM TIRADENTES


MOSTRA TIRADENTES ANUNCIA TEMÁTICA DE SUA 14a EDIÇÃO E PRESTA HOMENAGENS AO ATOR IRANDHIR SANTOS E AO CINEASTA PAULO CESAR SARACENI

O cinema político brasileiro, não apenas em sua temática, mas também – e principalmente – em sua forma, será o foco das discussões na 14ª Mostra de Cinema de Tiradentes, que abre o calendário audiovisual brasileiro entre 21 e 29 de janeiro de 2011, na cidade histórica mineira. A expectativa é que o evento atraia um público de mais de 30 mil pessoas através de uma intensa programação com mais de 120 filmes em pre-estreias nacionais e mundiais, seminários, debates, oficinas e atrações artísticas, tudo oferecido gratuitamente ao público.

Em início de novo governo e ainda sob o impacto do fenômeno Tropa de Elite 2, a temática central desta edição é “Inquietações Políticas”, pautada pelos temas e olhares propostos pela produção contemporânea que ocupará as telas em Tiradentes.

“É preciso refletir sobre qual a potência dessas formas políticas atuais: se mobilizam afetos e ideias, se são apenas manifestações reativas, se têm um valor estético”, explica Cléber Eduardo, curador da Mostra Tiradentes.

“A Mostra Tiradentes é um instrumento rico em formação, reflexão, exibição e difusão do cinema brasileiro. A cada edição inova sua temática e apresenta a multiplicidade do audiovisual brasileiro com a proposta de criar novos diálogos, movimentar paradgimas e ampliar olhares – um compromisso com a difusão da cultura brasileira”, afirma Raquel Hallak, coordenadora geral da Mostra Tiradentes.


DUAS GERAÇÕES SE ENCONTRAM NA HOMENAGEM DA “14a MOSTRA TIRADENTES”

Diferentemente de suas últimas edições, a 14a Mostra de Cinema de Tiradentes presta homenagens à personalidades de duas gerações distintas do cinema brasileiro, separadas por mais de quatro décadas entre si: um reconhecimento como aposta e revelação, outro pela persistência e coerência. Foi assim definidas as escolhas dos homenageados desta edição – o ator pernambucano “Irandhir Santos”, com sua filmografia ainda recente e em fase inicial, e o cineasta carioca “Paulo Cesar Saraceni”, com uma bio(filmo)grafia situada na comissão de frente do cinema brasileiro moderno (com seu auge nos anos 60 e 70), compondo uma espécie de plano e contraplano histórico do cinema político brasileiro.

“Irandhir Santos” nasceu em Barreiros, cidade a 80km de Recife, em 1978. Graduou-se em Artes Cênicas pela Universidade Federal de Pernambuco em 2003. Sua estreia no cinema se deu dois anos depois, com Cinema, Aspirinas e Urubus, de Marcelo Gomes. No ano seguinte, 2006, foi premiado como melhor ator coadjuvante no Festival de Brasília, por sua participação em Baixio das Bestas, de Cláudio Assis. De lá para cá, sua carreira não parou de crescer: nos últimos três anos, participou de nada menos que 10 produções, incluindo as atuações premiadas em Olhos Azuis, de José Joffily, e Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo, de Marcelo Gomes e Karim Aïnouz. Como parte da homenagem ao ator pernambucano, a Mostra de Tiradentes exibirá seu trabalho em longas como Tropa de Elite 2 e Amigos de Risco e nos curtas Azul e Décimo Segundo.

“Irandhir surge nessa cena marcada pelas revelações e confirmações de Lázaro Ramos, Wagner Moura, Hermila Guedes, João Miguel, todos, por coincidência ou não, nascidos e formados na Bahia e em Pernambuco. Sinal de que, quase sempre concentrado em Rio e São Paulo, o foco mudou. E a filmografia do ator é composta quase exclusivamente de diretores nordestinos: Daniel Bandeira, Claudio Assis, Kleber Mendonça Filho, Marcelo Gomes e Karim Aïnouz. Esse cinema de Irandhir, de diretores iniciados nos últimos oito anos, transita entre o profissionalismo técnico de Tropa de Elite 2 e o investimento estético nas condições limitadas de Amigos de Risco”, contextualiza Cléber Eduardo.

Já “Paulo César Saraceni” foi um dos precursores do Cinema Novo e um dos primeiros cineastas do país a obter reconhecimento internacional, abrindo caminho para o movimento ao qual ficou associado, com seu curta-metragem de estréia, Arraial do Cabo (1959). Nascido no Rio em 1933 e descendente de imigrantes italianos, ganhou uma bolsa para estudar no Centro Experimental de Cinematografia, em Roma, logo após a repercussão de Arraial do Cabo. De volta ao Brasil, dirigiu Porto das Caixas (1962), seu primeiro longa-metragem. Seu mais recente filme, O Gerente (2010), é baseado em um conto de Carlos Drummond de Andrade e conta com a participação de Chico Buarque e Ferreira Gullar. Os três filmes serão exibidos em Tiradentes, como parte da homenagem ao diretor carioca.

“A homenagem a Saraceni é de reconhecimento não apenas de uma trajetória, mas de uma perseverança em um desejo de vida, fazer cinema e ser cineasta. Ele talvez não seja tão estudado e conhecido como Glauber Rocha e Nelson Pereira dos Santos, mas talvez tenha sido o mais poético dos cinemanovistas. Sua forma de articulação de imagens e situações em O Gerente nos mostra um cineasta veterano que continua a alargar a medida da ousadia, esbanjando um espírito de juventude sem comprometimentos, mas comprometido com sua própria expressão”, justifica Cléber Eduardo.


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A 14ª Mostra de Cinema de Tiradentes inaugura o “Cinema sem Fronteiras 2011” e recebe toda infra-estrutura necessária para sediar uma programação cultural intensa e gratuita. São instalados três espaços de exibição - o “Cine-Praça”, no Largo das Fôrras (espaço para mais de 2.000 espectadores), o “Complexo de Tendas” – que sedia a instalação do “Cine-Tenda” (com 700 lugares), e o “Cine-Teatro” (com platéia de 150 lugares) funciona no Centro Cultural Yves Alves – sede do evento.