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Entrevista: Aly Muritiba (no instante da estreia de "Para Minha Amada Morta")




















Entrevista: Aly Muritiba (no instante da estreia de Para Minha Amada Morta)


Por Tainá Tonolli

Aly Muritiba lança seu primeiro longa-metragem de ficção, Para Minha Amada Morta, em circuito comercial. O filme ganhou sete Candangos no Festival de Brasília de 2015, melhor filme de novos diretores no Festival de Montreal, e críticas positivas por onde passou, inclusive aqui no Cinequanon. Em entrevista ao site, o diretor fala da sua “Trilogia do Cárcere”, da qual fazem parte os curtas A Fábrica, Pátio e o longa A Gente,de seu passado inusitado como agente penitenciário e dos novos filmes, como a adaptação para o livro Barba Ensopada de Sangue, de Daniel Galera.

Para Minha Amada Morta conta a história de fotógrafo que trabalha numa delegacia. Por que é tão difícil deixar a Polícia?

Imagina depois de sete anos trabalhando nesse lugar... Isso acaba impregnando em você de um jeito que é preciso purgar, exorcizar de alguma maneira – e acontece nos filmes. É uma saída gradual: no Para Minha Amada Morta tem bem menos que nos filmes anteriores, e é o último com esse tema.

Como foi deixar de ser carcereiro para ser cineasta?

Nunca planejei ser cineasta nem carcereiro: foram as conjunturas que me levaram às duas coisas. Quando eu entrei no sistema penitenciário, em 2005, estava indo de São Paulo para Curitiba, porque a família da minha mulher é de lá. Sem emprego, fui fazer concurso público. Assim, fui bombeiro durante um ano antes de me tornar agente penitenciário, e a ideia era ficar o menor tempo possível, até poder voltar a dar aula de História.
Mas, uma vez lá dentro, percebi que é um sistema fascinante, e que eu tinha muito tempo livre. A escala de trabalho é de 24/48, ou seja, você trabalha um dia e tem dois de folga. Pensei, “cara, estou ganhando uma grana relativamente bacana, tem um adicional de periculosidade, que faz com que o salário melhore, tenho tempo livre e vou ocupá-lo estudando”. Aí fui estudar cinema.

Mas, o plano sempre foi estudar cinema?

Não. Nem sabia que para fazer cinema se estudava. Foi tão por acaso que na época estávamos quebrados de grana, e na TV só pegava dois canais: a Paraná Educativa, que é a TV pública do Estado, e a Globo, que eu não vejo. Assistindo a Paraná Educativa, vi um anúncio de que a faculdade estava começando um curso de cinema: o vestibular custava R$ 50 e o curso era de graça. Fui pra faculdade assim.

O Pedro Butcher, da Folha de S. Paulo, diz que você é um exemplo da transformação dos novos realizadores do Brasil, evocando sua origem numa família que não é rica e o fato de ter nascido e produzido fora do eixo Rio-São Paulo. Mas há outras coisas que te aproximam dos novos realizadores, não?

Eu vejo que, além disso, é uma geração que já tem celular, handycam, há alguns anos. É a galera que, apesar da baixa renda, teve acesso muito cedo aos meios de produção de conteúdo imagético. A gente, ao contrário das gerações anteriores, não só consome muita imagem, mas começou a produzir imagem muito cedo. Mesmo sendo filho de caminhoneiro, ou de um aposentado, eu e tantos outros conseguíamos eventualmente pegar a handycam de algum parente e ficar filmando a torto e a direito, produzir algum conteúdo, mesmo de maneira inconsciente. Nos relacionávamos de maneira mais ativa com a imagem, com o conteúdo audiovisual.
E na nossa geração também a prática precede a teoria. Eu e tantos outros aprendemos a teorizar sobre a produção de imagens depois de produzi-las. Temos uma formação prática, e não só na produção de imagens, mas também uma experiência de mundo muito mais precoce e muito mais intensa do que algumas gerações anteriores. Eu fui agente penitenciário, bombeiro, bilheteiro de trem... O Adirley Queirós trabalhou em necrotério, carregou corpo. Esse tipo de experiência molda não apenas o caráter, mas também o modo como vemos o mundo e, consequentemente, como enquadramos o mundo. Se antes eram eles falando de nós, hoje somos nós falando de nós. Eu ainda moro na periferia de Curitiba, e falo sobre o meu universo. O Adirley mora lá em Ceilândia, e continua falando do universo dele. Não é mais o extraterrestre que chega em Ceilândia com o olhar pré-moldado que vai falar sobre eles. São os meninos da “Filmes de Plástico” que vão falar sobre a periferia de Belo Horizonte (Contagem). Isso não implica em fazer filmes políticos ou apolíticos, mas, muitas vezes, queremos usar códigos distintos dos que foram estabelecidos por quem tem formação teórica, esse tipo de privilégio. Por isso, nossos filmes soam muitas vezes desconjuntados, malucos ou grotescos – porque é o jeito que a gente faz, ué.

Tenho que admitir que Branco Sai Preto Fica, do Adirley Queirós, é mesmo muito louco.

Muito, muito louco! E não adiante querer ver um filme daquele usando como parâmetro os cânones cinematográficos. Aquele filme está muito além.

Mas e o público? Você pode até ser da periferia e fazer filmes sobre ela, mas essas pessoas não são as que vão ao cinema, principalmente para ver filmes nacionais.

Não são. Esse é um abismo que existe. Ver cinema é tão caro que a galera da periferia não vai. Primeiro, porque não tem o hábito, depois porque não está disposta a gastar grana para isso, e porque estão vendo nossos filmes de outro jeito. Veem no computador, no smartphone. Hoje em dia, a periferia assina Netflix. Então, embora eu faça cinema e queira me comunicar com o mais amplo espectro de público possível, não sei se esse público ao qual eu pertenço está interessado em ver esses filmes, ou os que qualquer um faça, exceto os filmes-evento que são aqueles que têm apelo de marketing, que seduzem qualquer um.

E que tenha um ator de novela.

Hoje em dia já não é mais garantia de sucesso. Eu conheço gente que vive tentando emplacar filmes pegando atores de novela e só toma na cabeça. Existem alguns atores e algumas atrizes que podem garantir público, mas vai ter que ser uma comédia, ter alguma relação com a Globo Filmes e ter o Leandro Hassum ou a Ingrid Guimarães. É um star system de cinco ou seis estrelas. E que bom que existe, tem que existir de tudo, inclusive espaço para os filmes menores.

Você acha que Para Minha Amada... não vai dar público?

Eu acho que vai dar público pra caralho (risos)! De verdade, eu acho que o filme tem um apelo, conta uma história, e tem uma tensão que prende o espectador. O filme não é hermético, se propõe e consegue conversar com o público. Teria potencial para fazer 500 mil se tivesse uma boa grana investida em marketing, mas não temos. É difícil confiar que o boca a boca faça com que filme vire um evento. A última vez que aconteceu foi o filme da Anna Mulayert (Que Horas Ela Volta?), mas tinha Regina Casé e os Gullane por trás. E ainda bem que tem! Eu queria que o Fernando [Alves Pinto] fosse uma Regina Casé e ele tivesse um Esquenta na TV (risos).

E como foi chegar ao Fernando Alves Pinto para o papel principal?

Eu escrevi o papel pensando no Nando, gosto muito de alguns trabalhos dele. Acho que é um puta ator que, às vezes, é mal dirigido. Aliás, há muitos grandes atores que são mal dirigidos. Tem diretor que tem medo de dirigir ator. Eu também tenho medo dos atores, mas esse medo é tão sedutor, é tão bom! É a parte mais prazerosa. Enfim... O Nando era a ideia inicial, gosto dele em Terra Estrangeira e em Dois Coelhos, que me diverti à beça vendo. E ele quase trabalha num filme coletivo do qual eu sou um dos diretores, Circular. Tomei um primeiro contato com ele e o achei uma pessoa doce, que se encaixava no personagem que eu queria. Ficamos próximos e o convite acabou sendo natural.

Nem teve teste?

Quase nunca faço teste, não gosto de estar na posição de testar pessoas.

Nem para a adolescente você testou?

Eventualmente eu faço teste, mas a Giuly Biancato, que faz a adolescente, eu já a conhecia de outros trabalhos e a chamei para conversar. Uma conversa é muito mais produtiva do que um teste para mim, o mais importante, de verdade: é bater o santo. O resto construímos juntos. O único personagem grande do filme que eu testei foi o Salvador, que é o Lourinelson Vladmir, porque eu não conhecia o trabalho dele e não tinha ninguém para fazer aquele papel – aí testei gente para caramba.

Mas ele funciona muito bem no papel. Ele tem a cara de ex-pecador convertido.

É uma cara comum, né. Ele é um puta ator, além de ser humano incrível, mas ainda não tinha feito nada grande no audiovisual. E agora a carreira dele está acontecendo, vai protagonizar dois longas e uma série na O2. Aconteceu! E eu vou fazer uma série em que ele vai estar de novo. Além disso, estou escrevendo outro projeto pensando nele, e se sair nos próximos cinco anos, certamente ele vai fazer.

Você contou que o Para Minha Amada... começou em 2009. Cinco anos pode ser pouco tempo.

Demorou! O primeiro filme normalmente é muito demorado. E morando no Paraná, um Estado fascista, que não tem uma lei de incentivo à cultura que preste, onde o único prêmio de cinema e vídeo que existe distribui apenas R$ 1600 e acontece a cada quatro anos. O que eu estou fazendo lá? Simplesmente não pertenço àquele lugar. Mas há também uma questão de combatividade política. Parece brincadeira, mas como eu tenho consciência de que hoje eu sou o sujeito de maior visibilidade no cinema no Paraná – pelo menos os meus filmes circularam por festivais importantes do mundo, e de alguma maneira a imprensa conversa comigo, eventualmente me entrevista – creio que um dos papeis que tenho a desempenhar como articulador de política cultural é chamar atenção para isso. Se eles investissem, poderíamos criar uma cena rica no Paraná, como existe em Pernambuco e tantos lugares. Sou professor de roteiro e conheço gente muito talentosa lá. Mas que não tem o que fazer, porque fazer cinema é caro.

Para Minha Amada Mortacomeçou a carreira no exterior, sendo premiado, e depois foi muito bem nos festivais aqui. É mais fácil fazer sucesso fora?

Parece que sim. Assim como ganhar dinheiro e reconhecimento na gringa, para mim, sempre foi mais fácil que no Brasil.

Você achava que o filme tinha tanta força?

No meio do processo teve uma sessão, ainda sem finalizar, em San Sebastian, no Cine en Construcción. Era um corte de 2h40, com várias cenas extras. E ali eu percebi que a galera ficava muito tensa na sala de cinema, e que o que eu queria provocar de sensações estava rolando. Mas, obviamente, tinha uma grande insegurança sobre o que o público brasileiro pensaria que esse filme é. A estreia dele foi em Montreal, e na sessão o público acolheu de maneira super calorosa. Voltei correndo e mostrei o filme em Brasília. Nesse meio tempo saiu a premiação de Montreal e o filme ganhou. Eu não esperava tanto, mas quando sentei para ver o filme na mixagem final, eu o vi independente do fato de ser meu, como espectador mesmo, e gostei. Fiquei completamente imerso, sofrendo as dores de Fernando. Percebi que ele me mobilizava, mas até mobilizar o outro há uma distância enorme. Quando a gente faz um filme que não é tão bom, olha pra tela e fala: “não saiu muito bem do jeito que eu imaginava”. Sempre imaginamos que é o melhor filme do mundo até ficar pronto, daí eventualmente vem a decepção. Quando o vi pela primeira vez, tive a sensação de estar vendo um bom filme e ponto. Mas que ia ganhar sete Candangos em Brasília, jamais. Só imaginei que ia ganhar melhor ator e não ganhou (risos).

Eu acho que o Fernando vai ficando melhor conforme o filme passa...

O próprio roteiro provoca isso. Nos primeiros 15, 20 minutos, é um sujeito que está em estado de torpor. Ele está em luto, se move de maneira vagarosa. Nunca experimentei o luto, mas imagino que seja vontade de fazer nada, de não existir. A apatia tem a ver com o estado de espírito do personagem.

Há um preconceito com o Fernando, como o menino que foi bem em Terra Estrangeira e não virou?

Talvez, e isso é bom para o meu filme. Primeiro, eu mostro que ele não é mau ator, foi mal dirigido – portanto foi bem dirigido por mim (risos). Modéstia nenhuma! Segundo, você surpreende. É muito legal pegar atores ou atrizes que as pessoas não dão um centavo e tirar um baita desempenho daquela pessoa. Há atores geniais, outros esforçados. Como há diretores geniais e outros esforçados – eu sou esforçado, não genial. É tão bom encontrar um cabra esforçado para trabalhar, que eu sei que vamos fazer juntos, não vai ter preguicinha, agendinha, nhenhenhém. O Nando teve uma entrega ótima.

O filme não tem um gênero definido. Quando você o concebeu se debateu com isso?

É muito mais intuitivo que cerebral. Não havia a premissa que este é um thriller de corno (risos). Nunca parei para pensar sobre isso, não foi consciente.

Não diria que é um filme de corno, mas a desconstrução de uma história com um personagem que não está ali. Essa mulher não tem como se defender.

Acho que não é nem como se defender, mas não ter como explicar para ele que ela o amava e aquilo que ele viu, o que ela viveu com o outro, não é desamor, não é amá-lo menos, é apenas uma forma diferente de amar, com uma pessoa diferente.

No filme há cenas que têm um corte no meio do quadro, claramente é intencional. De onde vem a inspiração?

Principalmente [Edward] Hopper, que trabalha muito com quadros dentro do quadro: que acho riquíssimo. Mas a justificativa para isso, ou espelhos e vidro e fragmentações, tem a ver com esse sujeito estar dividido e estilhaçado. As metáforas são até obvias, né? Ele está tentando juntar peças de um quebra-cabeças para compreender as coisas. Por isso eu fragmento tanto a imagem. Se você olhar durante os primeiros 15 minutos, que é o luto, todas as vezes que Fernando aparece sentando em algum lugar, na cena do sofá, por exemplo, ele não está sentado no meio. Ele e o filho estão sentados num lugar de modo que haja espaço vazio para que o fantasma da mãe ocupe. E um crítico apontou isso e eu vibrei! “Caralho, você viu!” Tem coisas que são legais de fazer, mas sabe que quase ninguém vai perceber. E quando alguém vê é ótimo.

Mudando de assunto. Você tem um pé no documentário: o A Gente é seu filme mais famoso até agora; e ganhou um É Tudo Verdade com Pátio. Parece natural abandonar o doc agora.

Assim como nunca decidi fazer um curta e não um longa, nunca decidi fazer um doc e não uma ficção. Tenho milhões de projetos em fases distintas e faço aquele que dá para fazer naquela hora. E se for um projeto que tem a ver com doc, vai ser doc. Há uma diferença enorme na produção, mas no que diz respeito ao tratamento estético ou ético, é tudo a mesma coisa. Estou construindo discursos sobre determinados temas. Ou seja: não abandonei o curta, nem o doc. Como brinco com meus alunos, não faço cinema, faço o que dá para fazer.

Mas há diferença com relação à exposição.

Sim, tem gente que acha que longa de ficção está um patamar acima do longa documental. Ou patamares acima do curta. Existe, mas é o que o outro acha.

E agora com o filme lançado, se for bem, você entra num outro patamar de diretores.

Então, já rolou (risos). Não precisa ter um grande público, mas já rolou. Para Minha Amada... fez um estardalhaço legal no circuito de festivais, e algumas pessoas importantes viram e pediram para ver os curtas, etc. O Fernando Meireles, isso ele disse para mais de mil pessoas numa palestra, adora esse filme e os curtas. Ele me perguntou se tinha outro projeto e falei de um roteiro já pronto. Provavelmente vou fazer no segundo semestre com uma boa grana, boa infraestrutura e uma distribuição bem legal.

Coisas que Fernando Meireles pode proporcionar.

Vejo tanta gente que leva um tempo para fazer o segundo longa: é uma espera tão cruel. Comigo não vai rolar. Para Minha Amada Morta estreia agora, imagino que no segundo semestre eu rode um longa, e no primeiro semestre do ano que vem eu rode o terceiro, que é o Barba. As coisas estão caminhando a passos largos.

Você é a pessoa mais produtiva do cinema atual?

Tem mais(risos)! Por exemplo, o Leonardo Mouramateus, a galera da “Filmes de Plástico”... Mas estar sempre em set é difícil.

Você citou a adaptação de Barba Ensopada de Sangue. Como anda o projeto?

O Barba Ensopada de Sangue é o projeto da minha vida. Sei que é uma responsabilidade imensa, um desafio imenso, mas tenho certeza que vou dar conta (risos). Mas para isso tenho que me preparar. É meu projeto mais ambicioso até agora.

É um livro que nasceu para virar filme, mas como chegou na sua mão tão rápido?

Começou em Porto Alegre. Estava numa mesa de debates do Frapa, um festival de roteiro, há dois anos, e depois saímos para jantar. No meio da conversa surgiu o nome do Daniel Galera, e o Leo Garcia, organizador do Festival, falou “vocês precisam ler o livro novo do Galera, é absurdo, daria um puta filme”. Eu fiquei curioso e perguntei por que ele não fazia. Ele respondeu que tinha um magnata de São Paulo que compra todos os direitos de todos os livros no Brasil, e já tinha adquirido.

E era o Rodrigo Teixeira...

Sim! E pouquíssimo tempo antes tínhamos feito uma reunião. Ele é um dos colaboradores dos Sundance Institute, onde tinha estado com o roteiro do Para Minha Amada..., e me recomendaram para ele. Conversamos e ficamos de encontrar um projeto para fazer juntos. Na manhã seguinte [da conversa em Porto Alegre] comprei o livro. Na hora em que li a cena do suicídio do pai, juro, mandei a seguinte mensagem para o Rodrigo: “o escritor do Barba Ensopada de Sangue é o Daniel Galera, o produtor é você, e o diretor sou eu” (risos). Minutos depois ele me respondeu: “ok. Vamos conversar. Quando você pode vir para São Paulo?”.

Está sendo fácil a adaptação?

No Barba Ensopada de Sangue estou passando por um processo mais consciente, porque é uma espécie de thriller existencial. No livro, há uma questão existencialista muito forte de encontrar um lugar no mundo, e há uma pequena pista de thriller, que é a história do avô. Essa pista é desenvolvida, mas não é central, e no filme vou trazer para o primeiro plano. Então, preciso ter consciência que estou trabalhando na construção de um filme de busca e que essa busca trabalha tanto na superfície, que é a busca pela história do avô, quanto no subterrâneo, que é a busca por um lugar no mundo. E vou buscar nos gêneros cinematográficos quais são as formas que mais se “adéquam” para lidar com essa história.

Você sabe que se trouxer essa busca do avô, os fãs do livro vão reclamar.

Super! Mas eu estou preparado, pronto e consciente de que os fãs vão reclamar: mas foda-se, eu não estou fazendo o livro. Estou fazendo o meu filme – e foi uma conversa que eu tive com o Galera, e ele gostou. Quando fiz a primeira versão do roteiro, fiz questão de que conversássemos e falei: “prazer em te conhecer, adoro teu livro, mas antes de qualquer coisa, quero deixar claro que seu livro é o seu livro, e o meu filme é o meu filme”. E ele: “cara, beleza”. Eu estou adaptando, não fazendo uma transcrição, uma transposição apenas. Adaptar significa fazer escolhas, eleger pontos e desenvolvê-los.


*Leia a crítica do filme



Tainá Tonolli é jornalista e colaboradora do site.