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1º ano do cinequanon: um rápido balanço







Cesar Zamberlan

O cinequanon.art.br comemora no dia 1 de agosto seu primeiro ano de vida. Geralmente se diz que um ano passa rápido, mas essa forma de perceber o tempo está muito ligada à idade adulta, mais madura, quando um ano é, como dizia o poeta, um ano a menos. No caso do site, como uma criança, esse ano demorou a passar e mostrou de forma bem clara que há muita coisa a fazer, muito a crescer, muito a melhorar, muito trabalho pela frente.

Se formos fazer um balanço desse primeiro ano, o sentimento que fica é um tanto contraditório porque ao mesmo tempo em que fizemos mais do que imaginávamos fazer, como uma cobertura ampla do circuito e de festivais e mostras que não estava na proposta inicial do site, pelo menos da forma como foi feita; por outro lado, algumas propostas do site foram deixadas para trás, não se concretizaram. Falo, especificamente, das colunas mais ligadas à cinefilia com a coluna Mil Toques, Saída de Emergência, Meia-Entrada e a coluna Sala de Espera.

O fracasso, ou melhor, o não sucesso dessas colunas não ocorreu exclusivamente por uma pequena participação do internauta, ligada talvez a falta de tempo do cinéfilo a participar ou a pouca visibilidade do site, ainda novo e com pouca publicidade, mas também a constatação que a cinefilia, esse amor ao cinema, toma tempo demais do cinéfilo e, dentro desse cotidiano maluco das pessoas, sobra muito pouco tempo para outra atividade que não o trabalho. Por outro lado, devemos confessar que falhamos ao não alimentar como devíamos essas colunas.

De uma forma ou de outra, esse primeiro ano nos mostrou com maior clareza as vantagens e desvantagens da Internet como suporte para uma revista que trabalha com cinema. Na Internet, não existe limitação de espaço, ela permite a publicação de textos maiores, de mais de um texto sobre o mesmo filme e, por ser uma meio barato – imagine, por exemplo, os custos e o heróico desafio de manter uma revista impressa sobre cinema – , não é necessário articular a linha editorial do veículo em função de um retorno do público ou financeiro. Isso dá uma liberdade editorial sem precedentes.

Essa vantagem permite que exista um número sem fim de publicações na Internet, ela é um imenso oceano e aparecer em meio a esse mar de sites e blogs é um desafio enorme. Talvez seja esse o grande desafio do cinequanon para 2007: tornar-se mais conhecido, mais lido e mais popular, aumentando assim o diálogo com cinéfilos e com o público de cinema de uma maneira geral. Fora isso, é lógico, é preciso manter o site sempre atualizado, arejado e com novas colunas que tragam informação e análise ao internauta.

Há muito ainda a fazer, existe uma longa jornada pela frente, mas acho que uma semente foi plantada. Se há alguns anos, a crítica de cinema no Brasil passou devido à Internet por um processo de renovação, processo iniciado pela Contracampo no Rio e Cinemascópio em Recife; hoje, este quadro se amplia e se torna ainda mais sólido com outros sites, caso do cinema imperfeito e da revista cinética; com inúmeros blogs e com uma revista impressa, a Paisà que é composta por pessoas de todos esses sites. O cinequanon faz parte desse processo, surgiu vislumbrando essa possibilidade de escrever e refletir cinema com maior liberdade editorial e dialoga com esta nova forma de ver cinema, voltada mais para a crítica do que para a instrução de consumo. Que venha o segundo ano e com ele, novos desafios.


Cesar Zamberlan é editor do cinequanon.art.br.