BELA DO PALCO:


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Original: Stage Beauty
País: Eua
Direção: Richard Eyre
Elenco: Billy Crudup, Claire Danes, Rupert Everestt e Tom Wilkinson
Duração: 110
Estréia: 23/09/2005
Ano: 2004


"A Bela do Palco" - quando a beleza é roubada.


Autor: Cid Nader

A mulher é um ser que traz em si a carga do pecado e da perdição. Representação do demônio na Terra. Veja Eva, por exemplo, que pelo simples fato de ser "a mulher", tirou, com sua queda natural pelo pecado, "o homem", pacato e santificado, do paraíso. Quem disseminou a luxúria e se fez motor propulsor da prostituição, desde tempos imemoriais?

Pareço um ser tresloucado, adormecido em tempos da inquisição e despertado, do nada, nos dias de hoje? Um porco chauvinista, em momento de exibição e auto-afirmação perante uma platéia de machos, ensandecida e excitada com tal discurso. Ou seria Groucho Max, num dia de inspiração especialmente azeda e contundente, proferindo absurdidades que só ele seria capaz.

Pensamentos como os acima descritos foram comuns e verdades absolutas por séculos na história da humanidade, tanto no ocidente quanto no oriente. Foram causadores de catástrofes e modo de dominação das mulheres pelos homens. Propiciaram, também, situações insólitas, ridículas - apesar do alto grau de insanidade -, como a proibição da atuação de mulheres no teatro. Não que os papéis femininos não existissem, obviamente, mas eram interpretados por homens, travestidos de mulher e que, por vezes, se tornavam a grande atração do espetáculo.

Esse assunto, já havia sido explorado, com enorme sucesso mundial, numa produção chinesa, "Adeus Minha Concubina", que abriu o caminho para exportação de tão longínqua cinematografia.

É o assunto, também de, "A Bela do Palco", dirigido por Richard Eyre, e que tem Billy Crudup no papel de Edward Kinaston, um dos maiores intérpretes de papéis femininos, na Inglaterra do século XVII. A história retrata o momento em que o rei ordena que as mulheres passem a ser donas de seus próprios papéis, proibindo, por conseguinte, a utilização de homens para tais fins, fato que é sentido diretamente por Kinaston, ao perder fama e cair em desgraça. E ganha força Maria, Claire Danes, que passa de auxiliar e admiradora do ator, a atriz, de não muitas qualidades, mas de grande relevância histórica.

O filme não se revela um grande produto, com seu andamento histérico, personagens de composição pesada e mal interpretados - justamente num filme que trata da arte da atuação. Tem momentos que beiram o patético, como quando Maria vai em "resgate" de Kinaston, numa espécie de pulgueiro, para o que promete ser sua redenção.

Há mão pesada do diretor em cenas que mereceriam mais precisão, um ajuste mais fino em suas finalizações, como quando, por exemplo, "Maria" interpreta para um teste, o que deveria ser feito de maneira "canastrona" por não se tratar de uma boa atriz. Mereceria maior atenção, por seu resultado bastante mediano e por sua inserção na película, mesmo assim.

Existe um discurso embutido no filme, que nos faz crer que a homossexualidade de Kinaston seria decorrente dos abusos e sevícias sofridos por ele na infância de abandono. Completa-se essa estranha avaliação, por parte da obra, num final que deve deixar a comunidade gay, ou qualquer ser mais sensato, com a pulga atrás da orelha, numa facilitação digna de conclusões extraídas dos experimentos nazistas.

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