INDIANA JONES E O REINO DA CAVEIRA DE CRISTAL:


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Original: Indiana Jones And The Kingdom Of The Crystal Skull
País: EUA
Direção: Steven Spielberg
Elenco: Harrison Ford, Karen Allen, Cate Blanchett, Shia LaBeouf, John Hurt, Ray Winstone, Jim Broadbent, Alan Dale, Andrew Divoff, Pavel Lychnikoff, Joel Stoffer, Igor Jijikine
Duração: 124 min.
Estréia: 23/05/2008
Ano: 2008


Indiana Jones volta em seqüência coerente com seu carisma e sua mitologia


Autor: Fernando Oriente

Se existe um personagem surgido já na era dos blockbusters que sempre cativou milhões de fãs em todo o mundo é Indiana Jones. O arqueólogo aventureiro vivido por Harrison Ford, criado por George Lucas e dirigido por Steven Spilberg, virou, ao longo de quase três décadas, um personagem mitológico do cinemão americano. Suas peripécias pelos quatro cantos do mundo foram compostas no estilo das aventuras clássicas e seu carisma como herói o tornou muito maior que um simples “mocinho” de filme de ação.

“Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal”, o quarto filme da série, tem o grande mérito de retomar o personagem, envelhecido vários anos, e tratá-lo com coerência e carinho, respeitando os elementos que ajudaram a compor sua mitologia. É um filme de ação que trata o público com respeito, pois envolve o espectador sem apelar para pirotecnias de intenção catártica (como excessos de efeitos visuais e sonoros ou edição frenética que acaba por esconder as fraquezas da mis-en-scene).

Os principais fatores que fazem do novo longa uma diversão garantida são, além do carisma de Harrison Ford (que parece ter nascido para interpretar o personagem), a primorosa produção do filme (desde a direção de arte, passando pela fotografia até os efeitos especiais e sonoros) e principalmente, a direção de Spilberg.

O diretor domina totalmente a construção dos planos, com movimentos de câmera criativos e enquadramentos bem planejados, que servem para o conjunto do longa, não como exibicionismo estético. As grandes aventuras e a ação quase ingênua e sempre divertida são elementos fundamentais do que Spilberg sabe fazer de melhor. Em filmes como os da série de Indiana Jones, “ET” ou “Tubarão”, o cineasta mostra sentir-se mais à vontade, diferentemente de quando tenta embarcar em projetos adultos, que com exceção de “Munique” dão origem a trabalhos limitados em sua complexidade e quase sempre piegas.

“Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal” traz o herói novamente enredado com vilões megalomaníacos em aventuras que envolvem elementos sobrenaturais, situações que remetem às lendas de sociedades antigas em que o conceito de magia e misticismo dão um tom espetacular às aventuras. Os cenários exóticos onde o filme se desenrola garantem um charme extra.

As seqüenciais de ação são, como nos episódios anteriores, frutos de muita criatividade visual e inventividade. A seqüência onde heróis e vilãos se enfrentam em plena Floresta Amazônica cercados por formigas assassinas é digna dos pontos altos da série. O novo longa também é carregado de muito humor e referências aos filmes anteriores, desde o reencontro entre Indiana e a namorada da primeira aventura, até uma homenagem a Sean Connery e ao personagem que ele interpretou em “A Última Cruzada”.

Mas uma sensação de distanciamento com os três primeiros filmes pode ser sentida ao longo do filme. Por mais coerente que seja a nova aventura, fica uma leve impressão de que algo do frescor e da magia dos anteriores se perdeu nesses quase vinte anos que separam “O Reino da Caveira de Cristal” de “A Última Cruzada”.

Outro ponto que diminui o novo filme em relação aos anteriores são os vilões. Embora ter Cate Blanchet como vilã seja praticamente um luxo, o fato dos novos adversários do arqueólogo serem soviéticos os tornas bem menos interessantes como potencial de conflito do que os nazistas dos longas anteriores. E uma pergunta fica no ar: Até quando os russos comunistas vão ser satanizados por Hollywood? Será que a visão política unilateral dos estado-unidenses vai continuar impondo ao restante do mundo quem são os bonzinhos e os malvados?

Mas o que realmente fica ao término de “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal” é um saudável clima de reunião entre amigos, onde o cinema é ponto de encontro dos personagens já consagrados com seus criadores e o público. Um pouco do prazer que o espectador sente ao ver o filme deve ter sido compartilhado por todos os envolvidos na criação e na produção das aventuras de Indiana Jones.

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