DESONRA:


Fonte: [+] [-]
Original: Bashing
País: Japão
Direção: Masahiro Kobayashi
Elenco: Fusako Urabe, Nene Otsuka, Takayuki Katô, Kikujiro Honda, Ryuzo Tanaka, Teruyuki Kagawa
Duração: 82 min.
Estréia: 30/04/2008
Ano: 2005


Tem valor como análise dos modos de pensar nipônicos


Autor: Cid Nader

O Japão, tão idealizado por nós, principalmente os que o conhecemos pelo cinema, por vezes se mostra de maneira pouco agradável, com seus rancores, seus preconceitos e suas tradições que - apesar da alta tecnologia e da cara de futuro - ao modo mais xiita se impõe acima de traços e atitudes humanistas. Pensar em humanismo num contexto generalizador, ao modo ocidental/cristão, por vezes pode parecer pretensioso e denotar falta de senso quanto às diferenças culturais milenares que definiram muitos dos caminhos de variadas raças, mas justamente no Japão (estando falando do oriente, tão diferente quanto secularmente enraizado) reside a maior proximidade com o que se pratica por essas nossas bandas do planeta, e quando um assunto surge de sopetão desenterrando essas "ancestralidades" compreensíveis, a reação passa a ser de pensá-los (os japoneses) como um povo que se "camuflou de modernidade" com intuitos de bom, relacionamento. O que acontece é que obviamente o país de fez mais próximo e aberto às novidades por conta da derrota na Segunda Grande Guerra, mas o que acontece também, é que existe um modo oriental mais compreensivo, mais delicado no trato, mais assemelhado ao "nosso" desde a constituição da nação unida como pátria única.

O assunto de "Humilhação", justamente acaba por parecer um misto de rancor e preconceito, levando-nos a este caminho de uma mais difícil compreensão, mostrando-se "ostensivamente" muito distante da nossa maneira de encarar as relações humanas, mostrando-se um dos modos muito "japoneses" de reação. Se pensarmos com modos somente urgentes faríamos com que a discussão, muito longe de ser simplista, recaísse sobre a tal história da globalização - o que, isso sim, denunciaria simplismo de análise. Somos humanos, todos; geneticamente sim pertencemos ao mesmo grupo. Mas as "identidades" - as raças, como citei acima - são diversas, o modo de entendimento, de lógica, são acumulo desses tais tempos de civilização. Tal moldagem tem muita razão de ser por conta do isolamento das distâncias geográficas, das dificuldades nos contatos, que só se estreitaram recentemente - quando digo recentemente, penso primeiro nas viagens dos colonizadores da metade do milênio passado; só muito mais recentemente imagino estreitamentos por conta do avanço das comunicações.

De qualquer modo, a tal globalização surgiu como um negócio complexo. Deveria ser compreendida como motivadora de alguns comportamentos somente "misturada" aos outros eventos de "aproximação". O diretor Masahiro Kobayashi consegue mostrar um tanto dessa complexidade na história que fala de uma ex-seqüestrada no Iraque, interpretada por Fusako Urabe. Tem seu ponto forte justamente quando expõe bem toda essa dificuldade de compreensão de idéias e entrega à causas humanitárias praticadas pela protagonista; revela a dificuldade enraizada num povo que não imagina razões reais para tal "intromissão" em paragens tão distantes. Causa estranhamento quando revela essas reações, nos pegando de calças curtas quando um imaginário mais superficial aflora em nossas cabeças domesticadas pelo Japão somente "ocidental", ou somente "belamente oriental". Mas peca um pouco no uso do estilo seco de filmagem e montagem, que mais do que fazer-se similar a um modo de pensar local, parece ter sido concretizado somente como exercício de estilo mesmo. Diria que vale a visita para quem conseguir abstrair do modo "construção cinematográfica".

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