COMO EU FESTEJEI O FIM DO MUNDO:


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Original: Comment J’ai Fêté la Fin du Monde
País: Romênia/França
Direção: Catalin Mitulescu
Elenco: Doroteea Petre, Timotei Duma, Marius Stan, Marian Stoica
Duração: 106 min.
Estréia: 25/04/2008
Ano: 2006


"Como eu festejei o fim do mundo": mais um bom filme romeno


Autor: Cid Nader

Vamos partir para aquela mesmice e questionar o que caracteriza esse novo cinema romeno que vem ganhando destaque na mídia mundial e festivais internacionais? Quando questionado por um grupo de alunos de jornalismo sobre o que há de comum no cinema brasileiro, em tom de brincadeira respondi - após uma breve explanação a respeito do reducionismo de tal questionamento em um país tão vasto – que os nossos filmes são costumeiramente falados em português. Deixando brincadeiras de lado, encarando a Romênia como um país minúsculo – comparado ao nosso -, pensando na quase unicidade de sua composição étnica em algumas centenas de anos, portanto mais suscetível a paridades comportamentais do que ocorre por aqui, poderia dizer que o tema Nicolau Ceauscescu parece ser um mote recorrente naquela cinematografia, que demorará a ser expurgado das mentes e corações do povo.

Diferentemente de um outro filme visto recentemente, “2:08 A Leste de Bucareste”, o diretor Catalin Mitulescu tratou de usar outros caminhos para tratar o mesmo assunto. Nesse caso, direcionou o tema periférico – já que a vidência indicava desde o início que o objetivo era mostrar o momento da queda do ditador – para o problema dos jovens que procuravam fugir do país, via Danúbio e rumo à Itália, diante da falta de perspectivas e de esperança em um futuro livre, brevemente. Centraliza mais ainda essa história em uma família que vive cercada de todos os desmandos do governo – na escola da menina, nos vizinhos que somem são substituídos sob o domínio do medo... -, que demoniza o presidente/ditador em todos os momentos possíveis e com o apoio de todos os vizinhos – na realidade todos execram a ditadura e se manifestam intra-muros contra ela, mas temem nitidamente serem envolvidos por atos mais aparentes.

Basicamente é esse o filme, que tem ganhos notáveis quando aposta em revelar o espírito jocoso e brincalhão da população, quando investe na alegre música como elemento de ligação entre os instantes da obra – aliás, por alguns instantes (vizinhança óbvia), esses filmes ganham um certo ar musicalmente debochado bastante comum ao diretor iugoslavo Emir Kusturica – e quando dá asas a um trinca de moleques que, além de atuar muitíssimo bem e de maneira tremendamente natural, acaba sendo “responsável” por momentos de grande emoção e pelo “final inglório de Ceauscescu” (tem que ver para saber).

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