O BANHEIRO DO PAPA:


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Original: El baño del papa
País: Uruguai/Brasil/França
Direção: César Charlone e Enrique Fernández
Elenco: César Trancoso, Virginia Mendez, Virginia Ruiz, Mario Silva, Henry de Leon, Jose Arce, Nelson Lence, Rosario dos Santos
Duração: 90 min.
Estréia: 14/03/2008
Ano: 2007


Estilizado demais


Autor: Cesar Zamberlan

Existe algo bastante incomodo em O Banheiro do Papa: uma acentuada preocupação com a atmosfera no qual o filme se passa em detrimento à narrativa, fato que prejudica a história a ser contada. Tudo poderia ser bem mais simples no filme, mas não é. Existe por parte dos diretores uma preocupação excessiva em conferir ao filme uma luz, uma aura que acaba por tirar do filme aquilo que poderia ser o seu ponto mais forte: a simplicidade. Simplicidade daquelas pessoas, do vilarejo e simplicidade da trama.

A direção da arte, a câmera em seu registro estilizado, a montagem fragmentada, tudo trabalha na contramão daquilo que o filme quer narrar. Por vezes, nos sentimos como o pai e a filha que em dois momentos diversos do filme espionam a atitude do outro, escondidos atrás de uma janela ou de uma vidraça suja. Nós, espectadores, diante desse registro que mais oculta que mostra, precisamos eliminar também essa dificuldade de visão que o filme provoca para tentar limpar o filme dos seus excessos e buscar, como escavadores, a história e os personagens que estão submersos a essa necessidade do filme de ser mais bonito que é ou mais requintado que necessita.

Uma seqüência na qual os personagens vão a cidade próxima para comprar mercadorias ganha ares quase épicos com a câmera e a montagem provocando malabarismo desnecessários, tirando o impacto e os tempos mortos que o vazio daquela paisagem poderia trazer. Em um ou outro momento, sobretudo, no início do filme, essa busca por plano com angulação mais elaborada até serve a narrativa, mas o excesso no decorrer do filme faz com que eles se sobreponham ao texto dos personagens e aos próprios personagens e passem a ser mais importante que a história a ser narrada, desequilibrando os elementos narrativos e jogando contra o filme.

Entre contar a história e adorná-la, os diretores preferiram a segunda opção e a essa afetação narrativa tira o brilho do filme justamente porque ele brilha demais. Brilho falso porque acentua a aparência das coisas e não as coisas em si. E quando é preciso adentrar na emoção dos personagens, não há personagens, não há relações entre eles desenhadas para que essa emoção surja naturalmente. Entra aí o artifício de novo e para dar às cenas a emoção que o filme em si não conseguiu construir, o filme se vê obrigado depois a carregar no tom da música como se indicasse que ali o espectador precisa se emocionar, fato que se repete no cinema mais melodramático como forma e em filmes mal construídos como defeito.

Assim como a visita do Papa àquele vilarejo, O Banheiro do Papa cria uma falsa ilusão, promete mais do que de fato acontece.
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