TODOS CONTRA ZUCKER:


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Original: Alles auf Zucker
País: Alemanha
Direção: Dani Levy
Elenco: Henry Hübchen, Hannelore Elsner, Udo Samel e Golda Tencer
Duração: 93 min
Estréia: 29/02/2008
Ano: 2004


Filme de prateleira


Autor: Cid Nader

A Alemanha Oriental, mais especificamente Berlim Oriental, tem um significado muito forte - está marcada como cicatriz profunda - para o mundo do pós II Guerra Mundial. Tal cicatriz, que denunciava o corte sofrido numa nação que havia sido bastante machucada quando do final do conflito, persistiu até a queda do muro construído: do modo mais impensável. Aliás, a queda acabou por tornar-se um dos principais fatores deflagradores da ruína de todo o sistema comunista que vigorou na Europa - acalentou esperanças, motivou jovens e também nações - desde o final dos anos 1910. Essa marca construída com cimento, tijolos e ferro, existia como se fosse a peça sustentáculo de todo o "engendramento" socialista, que já então se mostrava utopia, pois que, sustentar a divisão da nação teutônica na "marra", realmente, nunca serviu como tática publicitária para a super União Soviética.

Recentemente (mais ou menos), Berlim Oriental tornou-se cenário de um filme que fez do embuste mote para sua trama, "Adeus Lênin", onde toda uma parafernália foi criada para fazer crer, a uma comunista de carteirinha, rediviva logo após a queda do muro, que a Alemanha Oriental ainda existia como nos momentos anteriores ao problema de saúde que a "tirou do ar" por tempos - aliás, filme que tem um certo valor até determinado momento, mas que perde tudo o que ameaçou de bom quando estica "suas idéias" muito além, para fazer dele uma comédia boboca.

O diretor Dani Levy, de "Todos Contra Zucker", parece que acredita ser a antiga Berlim comunista local ideal para se filmar obras que privilegiam o ato de enganar como no caso do citado acima. Jackie Zucher (protagonizado por Henry Hübchen), um jogador de sinuca, impuro, farrento, da vida - por asim dizer - que vive "esnucado" pela falta de sorte quando o assunto é dinheiro, se vê obrigado pela família a criar toda uma "nova vida", de judeu ortodoxo, para receber o irmão - esse sim um ultra-religioso, daqueles "capazes" de jogar pedras em carros que arrisquem circular no Shabat -, a quem não vê por longos anos e que reaparece por conta da morte da mãe.

É de se imaginar o caminho que a trama toma, as tentativas de angariar a empatia do público a qualquer custo, a "enroscada" enovelada no roteiro para sustentar o clima necessário de "enganação"... Tanto quanto é de se imaginar a falta de uma real tentativa ou ousadia formalista - há embustes nesse sentido sim, e são fracos, despropositados ante a opção narrativa escolhida pelo diretor. Tais embustes fazem do filme - que é um produto fraquinho - algo um tanto engraçadinho. Na tentativa de dar algum tipo de credibilidade às possibilidades - que percebi como embusteiras -, o diretor insiste em usar um humor moderninho; que ao final, percebe-se só ser tolerável por conta das boas atuações. Aliás, um bom - mau? - sinal do fraco desempenho do cinema alemão nos últimos tempos.

Por qual razão um filme fica todo esse tempo na prateleira, para acabar lançado, aparentemente, por acaso, meio que jogado aos leões?
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