VÔO NOTURNO:


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Original: Red Eye
País: EUA
Direção: Wes Craven
Elenco: Brian Cox, Cillian Murphy, Guy Chapman
Duração: 86
Estréia: 09/09/2005
Ano: 2005


”Vôo Noturno” é bom programa para sábado à noite – na TV


Autor: Laura Cánepa

Wes Craven não é, definitivamente, um cineasta desprezível. Criador das séries “A Hora do Pesadelo” e “Pânico”, e responsável por pelo menos duas obras-primas do cinema de horror, “Aniversário Macabro” (1972) e “Quadrilha de Sádicos” (1977), merece atenção mesmo em seus filmes menores. É isso o que provavelmente pensaram os cinéfilos quando assistiram ao promissor trailer do suspense “Vôo Noturno” (“Red Eye”, 2005).

Mas o filme, estrelado pela charmosa Rachel Adams, de “Penetras Bons de Bico”, e pelo inglês Cillian Murphy, recentemente alçado ao papel de psicopata da hora com o seu Espantalho em “Batman Begins”, não vale o ingresso. Em primeiro lugar, porque não é um bom filme. Em segundo lugar, porque pode vir a ser um ótimo telefilme, daqueles que preenchem as noites de sábado de quem está com gripe na frente da TV.

A história se passa durante uma madrugada e uma manhã, período em que a jovem Lisa Reisert, gerente de um hotel de luxo, chega ao aeroporto, conhece um simpático companheiro de viagem (Jackson Rippner), descobre que ele é um assassino terrorista, é chantageada por ele e precisa fazer todo o possível para defender a si mesma, à família de um político importante e ao banana do seu pai, um senhor calmo e desastrado que parece viver em outra dimensão.

Se no começo do filme, dentro do avião, o suspense consegue nos segurar na cadeira e nos faz torcer pela heroína, a segunda parte, fora do avião, é uma correria interminável que nos faz lembrar de um desenho de Tom e Jerry. Toda a fragilidade demonstrada por Lisa quando pressionada dentro da cabine dá lugar a uma agilidade digna de Lucy Liu em “As Panteras”, e a uma sucessão de cenas ridículas nos deixam seriamente em dúvida quanto ao gênero do filme: tratava-se, afinal, de uma comédia? Nenhuma surpresa no caso de Craven, mas, mesmo assim, a mudança de tom acaba sendo mal conduzida.

Para completar, o filme termina com uma desnecessária lição de moral sobre como tratar funcionários de hotéis e de companhias aéreas, sempre tão atarefados que mal têm tempo de atender direito os clientes...

Enfim, para quem ainda não assistiu, fica a dica: não assista agora. Espere o filme estrear na TV, pois em tela pequena e sem compromisso, será diversão garantida. Para quem já assistiu, resta a recomendação de procurar nas locadoras os filmes de Craven da década de 1970, para tirar a má impressão.
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