O SIGNO DA CIDADE:


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Original: idem
País: Brasil
Direção: Carlos Alberto Riccelli
Elenco: Bruna Lombardi, Juca de Oliveira, Malvino Salvador, Graziella Moretto, Luis Miranda, Sidney Santiago, Laís Marques, Rogério Brito, Marcelo Lazzaratto, Thiago Pinheiro, Bethito Tavares
Duração: 95 min.
Estréia: 25/01/2007
Ano: 2007


Absolutamente dispensável


Autor: Cid Nader

Há cinemas que se nutrem ostensivamente de referência em sua composição. Há diretores que necessitam dessas referências para a composição, por vezes, até de sua obra por mais tempo do que apenas num filme. Diretores novatos se nutrem de referências: por medo, por proximidade da saída recente das escolas, talvez por necessidade física de paridade ao desejo do que fazer na carreira à frente. Carlos Riccelli se abasteceu demais delas para realizar "O Signo da Cidade": está lá "Crash – no Limite", de Paul Haggis; está lá "Magnólia", de Paul Thomas Anderson; e também "Invasões Bárbaras", de Denys Arcand – afora um leve clima de proximidade à versão americana de "Asas do Desejo", "Cidade dos Anjos", de Brad Siberling.

Bem, notando as referências buscadas – imagino eu, obviamente – para a construção desse filme, dá para entender o resultado final. Há uma tentativa do fatalismo e da "casualidade espacial (cósmica)" fazerem a vez de elementos mais importantes dentro da construção narrativa. Ao contar a história de uma "taróloga" (astróloga) e radio-woman, Teca (Bruna Lombardi num papel assustadoramente mal desenvolvido e interpretado), o filme remete automaticamente a conjunções não físicas como as deterministas de seus alcances possíveis. Lógico que opções temáticas são da alçada dos criadores das obras e, mesmo quando parecendo absurdas para algum tipo de público, não deveriam ser questionadas – a princípio. Lógico que opções temáticas, mesmo que absurdas segundo alguns conceitos, podem resultar num bom filme – ou bom livro, ou bom teatro... Mas o que importa e incomoda mesmo aqui, é que tal opção parece ter vindo a serviço de um filme que se pretendia obra que transitaria por padrões estéticos e de essência dos mais questionáveis.

É manipulador, quando inventa situações que se cruzarão por "fatalidade" à frente e que entregam intenções de tentativa de atração do espectador por empatia "espiritual". A indicação da fatalidade pisca o tempo todo – e sempre a indicar que atingirá os que não têm fé alguma, ou os que têm demais – e muitos dos seres do filme só existem para cumprir essa "missão". A construção formalista é bastante capenga – apostando numa cidade de São Paulo retratada com a de Nova Iorque -, de cortes muito rápidos (não percebi planos maiores do que um minuto) e edição bastante fragmentada, que não estão lá para determinar um rimo mais veloz (até porque o filme todo se pretende transitando em patamares mais "espirituais", digamos assim), mas para camuflar um medo evidente no modo de sustentação de seqüências mais elaboradas. Os protagonistas até que são bem delineados – têm particularidades, diferenças -, mas poucos cumprem bem suas funções.

Auto-ajuda, fatalismo, acaso... Trabalho muito fraco de, alguém que foi aos estados Unidos, viveu lá e aprendeu cinema lá, mas que trouxe na bagagem as piores aulas, aprendidas com os piores mestres. Absolutamente dispensável. Absolutamente mesmo.

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