A LUTA PELA ESPERANÇA:


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Original: Cinderella Man
País: EUA
Direção: Ron Roward
Elenco: Russel Crowe, Renée Zellweger, Paul Giamatti
Duração: 146
Estréia: 09/09/2005
Ano: 2005


A Luta pela Esperança: convencional e competente


Autor: Fábio Yamaji

Pobreza, família, humilhação, perseverança, superação e dinheiro são temas recorrentes em filmes de boxe. O eixo narrativo é praticamente o mesmo em todos eles, sempre concluindo com uma grande luta final. Esse potencial dramático, quase infalível, atrai grandes diretores para o gênero – e alguns deles acabam realizando verdadeiras obras-primas nesta oportunidade. Foi assim com Martin Scorsese, que fez de “Touro Indomável” um dos melhores filmes de todos os tempos, foi assim com Clint Eastwood, que com “Menina de Ouro” mostrou com maestria e sobriedade uma história com fortes emoções.

Com “A Luta Pela Esperança” Ron Howard não chega a tanto, mas apresenta um de seus melhores filmes. Sua habilidade em cadenciar o andamento da trama faz os 146 minutos de duração passarem voando, sem tempos mortos.

A abordagem dramática no núcleo familiar é muito melhor desenvolvida, valorizando as relações do boxeador com seu filho mais velho e sua esposa - ao contrário de “Apollo 13” ou “Um Sonho Distante”, onde as famílias dos protagonistas não causam maiores influências.

O elenco principal está especialmente bem - em sintonia com a direção. Russel Crowe confirma sua boa fase, convencendo como bom pai, homem honesto e boxeador durão. Paul Giamatti e Reneé Zellweger aparecem muito mais contidos que o habitual em comédias, contribuindo para a construção do personagem principal.

Ron Howard não é afeito a experimentações ou soluções originais, e neste aspecto ele continua o mesmo. “A Luta Pela Esperança” é previsível, analisando friamente. Segue à risca a cartilha de Syd Field – o roteirista-guru americano. O ganho está na maneira que ele trabalha cada fracasso pra potencializar os sucessos. Assim consegue momentos grandiosos e empolgantes. As cenas de luta chegam a ser desgastantes para o espectador, pela sua agilidade e intensidade.

A grande surpresa, porém, está na trilha sonora. Após vários filmes realizados em parceria com James Horner (“Uma Mente Brilhante”, “Apollo 13”, “The Grinch”, “O Preço de um Resgate”, entre outros), Ron Howard estréia uma colaboração com o competente Thomas Newman - filho do lendário Alfred Newman e compositor habitual de Sam Mendes e Frank Darabont (fãs de trilhas incidentais conhecem bem os belos temas de “Beleza Americana” e “Um Sonho de Liberdade”).

A trilha orquestral de Newman para “A Luta Pela Esperança” é delicada, melodiosa e discreta – algo na linha de um de seus melhores trabalhos, “Adoráveis Mulheres” (1994). E um tema no estilo irlandês, acompanhando uma fase da saga de Jim Braddock, aumenta o espírito de luta e enriquece a musicalidade do filme.

Mas, no seu próximo trabalho, “O Código Da Vinci”, Howard mudará novamente de trilheiro. Desta vez para Hans Zimmer, com quem já trabalhou em “Cortina de Fogo” (1991) e que garantirá uma música mais eletrizante, apoiada em sintetizadores.

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