PENETRAS BONS DE BICO:


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Original: Wedding Crashers. Owen Wilson, Vince
País: EUA
Direção: David Dobkin
Elenco: Owen Wilson, Vince Vaughn, Will Ferrell e Christopher Walken
Duração: 119
Estréia: 07/09/2005
Ano: 2005


Penetras Bons de Bico: distração garantida


Autor: Fábio Yamaji

É o filme mais engraçado do ano. Por quê? Porque eu ri muito - nas duas vezes que o vi. Quer melhor sinal pra avaliar uma comédia?

“Penetras Bons de Bico” é despretensioso e esta é sua maior virtude. Não se propõe a ser original, inovador ou causador de maiores reflexões. Foi feito pra distrair por 2 horas, e nada mais. E consegue. Mesmo usando-se de escatologia, grosserias, piadas preconceituosas e historinha-clichê.

Mas então por que funciona? Por vários motivos. O principal deles é o perfeito timing de comédia do diretor David Dobkin (de “Bater ou Correr em Londres”). Ele explora o necessário de cada piada e logo parte pra outra, sem deixar a peteca cair (e sem deixar a ficha cair, já que boa parte das piadas é infame). Assim, mantém o interesse na história - que não tem nada de excepcional – e anestesia sua previsibilidade.

Os penetras do título são John (Owen Wilson) e Jeremy (Vince Vaughn), sócios em uma firma de advocacia que invadem festas de casamento com objetivos gastronômicos e sexuais. Para isso passam-se por parentes distantes dos noivos, bancam os rapazes atenciosos, inventam histórias comoventes. Sempre com inteligência e muita cara-de-pau. Mas não deixam de fazer a lição de casa. Levantam informações sobre as famílias das “vítimas” e conhecem bem cada ritual étnico ou religioso.

A discrição, porém, passa longe. O objetivo é ser a sensação da festa: criar brincadeiras, pregar peças, cortar o bolo junto com a noiva e até fazer discursos. E é aí que está o coração desta comédia. Quanto mais invasivo, melhor. Mas sempre com carisma e simpatia.

Dobkin estabelece esta tática no primeiro evento e logo emenda uma sequência ágil e divertida, mostrando vários e variados casamentos ao som de “Shout” (um clássico das bodas), intercalando com a papagaiada da dupla em ação. Simples e memorável. A partir daí o filme segue seguro e fluido até a hilariante parte final, com uma pequena barriga lá na segunda metade, quando o foco da cena é romântico.

Astuto como seus personagens, o diretor usa os clichês ao seu favor, para criar rápida identificação com o espectador e levar a picaretagem um pouco mais além.

Outra bola dentro está na escolha do elenco - eficiente e carismático. Na companhia de Owen e Vince estão a gracinha Rachel McAdams (que protagoniza “Vôo Noturno”, outra estréia da semana) no papel de namorada da vez, a insinuante Isla Fisher como sua irmã pirada, a bela Jane Seymour como a mãe tarada, Ellen Albertini Dow como a vovó boca-suja e o genial Christopher Walken - o melhor ator do mundo - num raro papel de bom pai, homem ponderado e ser-humano normal. E mais ainda o histérico Will Ferrell, que faz uma pequena participação não creditada e quase rouba o filme com ela.

Vale notar a delicada trilha original de Rolfe Kent, fiel colaborador de Alexander Payne (“Ruth em Questão”, “A Eleição”, “As Confissões de Schmidt”, “Sideways”) e autor da preciosa música de “Kate & Leopold” (2001).

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