ACROSS THE UNIVERSE :


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Original: Idem
País: EUA
Direção: Julie Taymor
Elenco: Evan Rachel Wood, Jim Sturgess, Joe Anderson, Dana Fuchs, Martin Luther, T.V. Carpio
Duração: 131 min.
Estréia: 07/12/07
Ano: 2007


Retrato de uma geração ao som dos Beatles


Autor: Cesar Zamberlan

Complicado pedir de um filme mais do que ele propõe te dar, exigir algo que não está na sua proposta ou criticá-lo por não atender às nossas expectativas frente ao que gostamos no cinema. Não é esse o papel da crítica. Por outro lado, essas questões também não podem servir como critério para validar qualquer filme. Existe um meio do caminho entre esses pólos que é bem difícil: é preciso ver qual é a do filme, como ele realiza isso tecnicamente e a partir daí abrir portas para interpretá-lo. Ser intolerante demais ou de menos é sempre um risco.

Faço todo esse preâmbulo para encaixar o comentário de uma jornalista na saída da sessão para os jornalistas de “Across the universe” quando da sua exibição na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Toda feliz com o filme, ela, ingenuamente, foi partilhar da sua alegria com alguns amigos críticos e acabou sendo “devorada” por olhares nada amistosos. Contrariada disse: “pô, às vezes, a gente só quer ouvir Beatles num fundo que mexe”.

A proposta de “Across the universe” é bem essa. O filme usa as músicas dos Beatles como base para um roteiro que pretende fazer um painel dos anos 60. Toda a narrativa é entremeada com música dos Beatles e alguns personagens têm nomes iguais aos das músicas, caso de Prudence (“Dear Prudence”), Jude (“Hey Jude”) e Lucy (“Lucy In The Sky With Diamonds”). Outras músicas obviamente também estão lá: “Let it be”, “Revolution”, “All You need is love”, Come Together”, entre outros clássicos.

Essa estrutura do filme, fechada nas músicas, torna “Across the universe” um tanto quanto previsível, ficamos sempre esperando a próxima música e o momento que o ator vai virar para câmera e sair cantando. Mas, isso não chega a ser um incomodo se você aderir ao filme e entrar no jogo, tentando adivinhar qual será a próxima música.

Visualmente, o filme de Julie Taymor, a mesma de “Frida”, tem alguns momentos bonitos, mas peca em ser um musical extremamente bem comportado do ponto de vista cinematográfico e narrativo. Serve e muito para aqueles que não conheceram o período, pois contextualiza a importância dos Beatles ao momento histórico e para aqueles que estão, descompromissadamente, querendo ouvir Beatles num fundo que mexe.

P.S. - Na sessão de imprensa durante a Mostra, a cópia estava sem as legendas das músicas e essas legendas são fundamentais para uma melhor compreensão da história. Havia a esperança que a cópia fosse legendada quando o filme estreasse no circuito, mas isso não ocorreu, o que é uma pena.
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