A CORAGEM DE AMAR :


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Original: Le Courage d'aimer
País: França
Direção: Claude Lelouch
Elenco: Mathilde Signer, Maïwenn, Massimo Ranieri, Michel Leeb, Arielle Dombasle, Sara Forestier, Line Renaud, Yannick Soulier e participação de Pierre Arditi
Duração: 103 min.
Estréia: 30/11/07
Ano: 2005


Um filme chato, com música chata e personagens chatos


Autor: Cid Nader

Claude Lelouch exibindo mais um dos seus modelos inconfundíveis de cinema. Filme que fala de amor delvadamente, descaradamente, com muita música a embalar a história e os amantes, imagens limpas e assépticas, horizonte a ser desvendado sem muito aprofundamento, que se completa com diálogos fúteis e rasteiros – diálogos que evocam amor, fazem cobranças, mas sem nada de mais marcante ou verdadeiramente grandioso para se deixar marcado. Aliás, obras do diretor tendem a não se deixarem fazer de marcas por excelência ou profundidade. O fato de o filme ter músicas embalando seus personagens e seus caminhos é levado tão a sério pelo diretor, como proposta, que, ao fim, percebe-se que o que se acabou de assistir nada mais é do que um musical à francesa – à pior maneira francesa.

As músicas cantadas por todo o filme são todas dignas do que pior se pode considerar de ruindade, produzido nesse setor das artes modernas do país. A França, realmente, não é lá muito pródiga em contemporaneidade musical, mas francófilos de carteirinha e parcela dos nativos, ouvem e se encantam com uma baixa qualidade assustadora na sonoridade que se "consegue" produzir em grande escala por lá. Apesar disso, o filme também deveria ser considerado como um musical pelo jeito de condução que lhe é destinado. A música não pára, mas por conta disso o filme leva um crédito. Fica interessante perceber que todo o ritmo de cortes, cena e seqüências, é muito ao jeito do som que embala o filme. Mesmo a música sendo ruim, o fato de o diretor ter conseguido dar uma cara ao trabalho bastante pautado pelo ritmo musical, deveria ser louvado como algo de qualidade. Talvez o único mérito do filme, mas um mérito.

Já que resolvi encontrar uma virtude para "A Coragem de Amar", me veio à mente mais um bom momento: e o mais estranho é que ele se dá num instante de pausa musical e de ritmo – paradoxal, isso é que às vezes sou. Se dá quando o casal interpretado pela culta dona de um castelo e seu recente marido dono de um império de pizzas resolvem perceber que sua vida em conjunto já não terá muito futuro, a conseqüência a essa percepção, tudo resultando num bom momento de narração dramátca. Mas as virtudes cessam por aqui. O filme é chato, com música chata, personagens chatos, e muito feito para agradar – bem à Lelouch. Resta saber o que se passa na cabeça de seu público fiel.

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