DEU ZEBRA:


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Original: Racing Stripes
País: EUA,
Direção: Frederik Du Chan
Elenco: : Bruce Greenwood, Hayden Panettiere e Gary Bullock.
Duração: 84 min
Estréia: 02/09/2005
Ano: 2005


Deu Zebra!: Deu zebra


Autor: Fábio Yamaji

Eis um filme oportunista ao extremo. Desprovido de um frame sequer de algo original, apoia-se sem a menor cerimônia nos clichês mais antigos, mesmo aqueles reutilizados em produções recentes.
De sua breve sinopse é possível deduzir todos os seus desdobramentos, bastando para isso um mínimo de bom senso e referência cinematográfica: “Ex-treinador de cavalos de corrida resgata um filhote de zebra perdido e o dá de presente à sua filha, que perdeu a mãe em acidente equëstre. A menina descobre que o animal é veloz, mas o pai - traumatizado pela perda da esposa – a obriga a se desfazer da zebra e esquecer sobre corridas de cavalo.”

A zebra, batizada Listrado, é capaz de conversar com outros bichos da fazenda. Para isso foram filmados animais reais que falam com sincronia labial por meio de efeitos em computação gráfica. Recurso idêntico àquele popularizado pelo filme australiano “Babe, Um Porquinho Atrapalhado”, que ganhou o Oscar na categoria há dez anos. Este cenário permite ao diretor estreante Frederick Du Chau esgotar todas as piadas sobre zebras e explorar diferentes facetas humanas nos bichos falantes. Nada de novo.

A trama segue a receita das estórias de estranho no ninho – do indivíduo desacreditado frente a uma situação desafiadora. Rolam esperanças, decepções, sabotagens, superação. É impressionante como se parece com o empolgante “Seabicuit”, de 2003. Até a dificuldade do “cavalo” em dar a largada é copiada neste filme. Shame on you, Mr. Du Chau!

Salvam-se no filme as hilárias intervenções de personagens coadjuvantes, recurso clássico nos longas de animação – e geralmente alheios ao andamento da história (vide as gárgulas de “O corcunda de Notre Dame”, os ratinhos de “Babe”, o javali de “O Rei Leão”, o bebê de “Os Incríveis”, os soldadinhos de chumbo de “Toy Story”, o burro de “Shrek”, o dragão de “Mulan”, Jay e Silent Bob...).

As moscas varejeiras dubladas por João Gordo e Matheus Nachtergaele roubam a cena, com diálogos muito mais inspirados que os dos outros personagens (com excessão do ganso de Evandro Mesquita, que tem momentos de rachar o bico). Escatologia, gula, dança e música movem a dupla em ações e comentários que arejam a monotonia deste filme redundante.
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