MORTE NO FUNERAL:


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Original: Death at a Funeral
País: EUA/ Inglaterra
Direção: Frank Oz
Elenco: Matthew Macfadyen, Peter Dinklage, Ewan Bremner, Kris Marshall, Andy Nyman, Ewen Bremner, Daisy Donovan, Alan Tudyk
Duração: 90 min.
Estréia: 05/10/07
Ano: 2007


Engraçado?


Autor: Fernando Watanabe

Uma idéia curta estendida até a exaustão. Uma delimitação de espaço-tempo bem definida – um dia, um funeral, em uma casa – e ausência completa de inventividade. O filme martela sempre as mesmas teclas – explora as mesmas risadas diante dos mesmos personagens sem variação na piada -, e avança à conta gotas quando já percebemos que tudo já se esgotou na primeira meia hora. A direção primária em nada ajuda a manter o interesse, já que qualquer vontade de visualidade se limita à “dar o clima” para o funeral pelo uso de cores frias. O que se vê é a repetição do mesmo esquema para quase todas as cenas: montagem que reveza planos gerais descuidados, planos médios dos personagens que falam e planos-detalhes mal filmados. E tal diagnóstico pode parecer deslocado em relação às ambições artísticas do filme, já que as prioridades dele com certeza não são a afirmação de uma autoralidade, o rigor formal ou a busca por expressão visual-sonora. Mas, o que se sugere aqui é que a direção desinteressante não potencializa o material, não investe nas cenas. Ao contrário, o filme tem como muleta principal o roteiro, e a filmagem medíocre filma tudo da mesma maneira tentando tirar graça apenas das situações em si, sem notar que a graça maior sempre advém da maneira como se filma essas situações – algo que não deve ser notado pelos espectadores nessa proposta transparente, mas que poderia produzir benefícios às intenções do próprio filme em termos de efeito cômico e afetivo. O que urge é a comunicação instantânea com o público, é a primeira risada automática que se esgota em dois segundos, é a reação efêmera de um espectador um pouco desatento e sem vontade de participar do filme. Daí seu formato mais típico de uma sitcom televisiva do que propriamente do bom cinema de comédia. O cinema enquanto linguagem e forma é mero detalhe em “Morte no Funeral”.

“Uma família desajustada unida para o enterro do patriarca”. E essa reprodução da sinopse é importante para notarmos como o filme vê esse “desajuste”: de fora. Estando sempre sóbrio, o filme parece apontar quase gritando “riam desses loucos!”. Ridicularizar seus personagens pedindo em troca a adesão risonha por parte da platéia que confortavelmente também pode rir “daqueles malucos” sem, no entanto, estar imersa na loucura. E essa concessão-chave do filme é reforçada pelo fato de que essa tal “loucura” vem sempre embalada por algum dos lugares comuns sempre empregados para a definição do que são as pessoas loucas e de onde vêm suas respectivas loucuras. Os personagens que estão surtando o estão por estarem tomando uma mistura explosiva de ketamina e ácido travestida de Prozac. O personagem homossexual do filme é um anão. Um outro é um velho gagá e deficiente físico. Ainda, há um galanteador idiota que xaveca a bela esposa de Simon em pleno funeral. Enfim, bem definido e cômodo essa delimitação entre o mundo dos normais e suas exceções maluquetes. Estando sempre sóbrio, elegantemente inglês, o próprio filme se propõe a fazer o espectador rir “dos outros” e não “rir com o filme”, nem mesmo “rir do filme”. Mantém-se essa falsa elegância - na verdade, a caretice mesmo – diante de situações e personagens insólitos. O curioso é que tal postura formal e quadrada se revela pertinente para uma situação de funeral, e o filme não almeja participar das pequenas transgressões que ameaçam o protocolo e se contenta em arrancar risadas fáceis diante dos idiotas dos personagens. Um freakshow medonho que simultaneamente celebra um funeral à linguagem cinematográfica e à inteligência do espectador.

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