ALPHA DOG:


Fonte: [+] [-]
Original: Idem
País: EUA
Direção: Nick Cassavetes
Elenco: Emile Hirsch, Ben Foster, Anton Yelchin, Justin Timberlake, Bruce Willis, Sharon Stone.
Duração: 117 min.
Estréia: 18/05/2007
Ano: 2007


Dos tempos atuais


Autor: Cid Nader

Urgência no modo de contar a história é a característica mais destacável para tentar se definir "Alpha Dog", dirigido por Nick Cassavetes (com o roteiro de quebra), com poucas palavras. Mas não é urgência no sentido da necessidade da abreviação do tempo gasto para se fazer compreendido mais rapidamente, e sim uma urgência na aceleração do ritmo, do estilo (um filme urgente, veloz), como que para fazer com que um assunto interessante já por si mesmo, necessitasse de adrenalina para não deixar de ser notado pelo público; ou para não permitir que tal público pudesse recebê-lo em estado de letargia ou sonolência. A história original – verdadeira, drama da vida real – que impeliu o filho do grande mestre do cinema, John Cassavetes, a "roteiralizá-la", para depois transformá-la em filme e dirigi-la, se passou nos Estados Unidos e terminou no Brasil, ganhando notoriedade internacional por diversos fatores, dentre os quais o do seu personagem principal ter-se tornado o mais jovem criminoso a entrar na lista dos procurados pelo FBI.

Tudo se passa na região de San Gabriel Valley, Los Angeles, onde burgueses vivem tranqüila e isoladamente, se drogando e participando de festas. Jovens, se vêem dentro do paraíso pela facilidade em se encontrarem baladas a serem freqüentadas, e ante a disponibilidade de oferta de diversão química. Jovens, também se tornam responsáveis pelo tráfico pequeno, caseiro, e pelas possibilidades de se tornarem os donos "das festas". Johny Truelove (Emile Hirsch) é um desses donos dos desejos - de segunda categoria, verdade -, mas com um séqüito de consumidores, garotas dispostas a tudo por uma "noitada", e alguns seguranças/amigos mais atrapalhados do que eficazes em suas funções. Jake Mazursky (Ben Foster) faz parte do pessoal de terceira categoria: aqueles que mais consomem as alegrias químicas do que conseguem passá-las adiante. O segundo (Mazursky) fica devendo dinheiro para o primeiro (Truelove). O primeiro – superior ao outro por ser de segunda categoria –, resolve reaver o que é seu "por direito" e decide que a melhor maneira seria através de ameaças, ao que o segundo – de terceira categoria -, não concordando, reage, amedrontando o primeiro (afinal, ele é de segunda mesmo, facilmente amedrontável, portanto), que se vendo em palpos de aranha bota os pés pelas mãos, apelando à defesa dos amigos/seguranças, que também não são muito lá bons mesmo. Como solução imaginam a pior das defesas e seqüestram o irmão do terceiro, imaginando que isso não passaria de mais uma brincadeira de jovens suburbanos entediados, burros, estúpidos e inconseqüentes.

Nick Cassavetes empregou muita urgência para estipular a passagem do tempo em "Alpha Dog"; aparentemente com um certo receio – que me pareceria sem razão de ser - de não contar com a anuência do espectador. E ao fazer tal opção, duas constatações saltam de maneira mais evidente à avaliação: a primeira delas remete à configuração estética optada para o exercício dessa "velocidade", que remete a uma outra gama de trabalhos semelhantes nessa opção que, no afã de prender públicos mais modernamente catequizados pelo ritmo dos videoclipes ou dos videogames, utiliza-se de intervenções diretas na montagem e nas imagens (dias contados, número de testemunhas que vão se avolumando, por exemplo), atuações ditadas por ritmo quase alucinado, em alguns momentos, ou "moderninho", em outros, (com alguns excelentes resultados, e uma menção desonrosa ao exagero crescente e "over" do personagem criado pr Ben Foster), características físicas semelhantes pela exuberância (consta que o elenco foi colocado em dieta restrita e programa de exercícios rígido, por um bom período antes do início das filmagens), música que, invariavelmente, tom a vez de falas e se sobrepõe em diversas seqüências, e um jeito muito esperto e justo no momento da montagem – para não permitir momentos vagos, espaços -; a segunda constatação, que poderia parecer herética a avaliadores mais velozes e rigorosos, remete a possibilidades genéticas atuando na cadeia corpórea de Nick - quando se faz possível imaginar a velocidade no corte, o atropelamento na montagem a disposição em não permitir tais "momentos vagos, espaços", e até um certo cuidado dedicado ao modo de atuar da trupe –, como o filho, e observador desde a infância, do grande John, e com possibilidades de imaginá-lo fazendo seu filme como reverência ou referência ao mestre.

O que resta ao final de tudo, com certeza absoluta, é um trabalho que consegue prender o espectador ao que se passa na tela, sem nenhum momento de "escape", sem nenhuma possibilidade de cochilo – seja por qual motivo real o diretor optou por fazê-lo do jeito que o fez. Os atores veteranos e famosos que participam do filme, Bruce Willis e Sharon Stone (falar em Harry Dean Stanton é sempre covardia), o fazem de maneira a emprestar – com categoria, sobriedade e segurança - a cancha e tempo de estrada que falta à quase totalidade do elenco. Alguns momentos são, inclusive, belos: como a cena da piscina, próximo do final e, principalmente, os momentos próximos a um "campo" de moinhos de vento, que remetem o filme – justamente em seu momento mais dramático – a um clima onírico bastante interessante e instigante.

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