CONVERSANDO COM DEUS:


Fonte: [+] [-]
Original: Conversation with God
País: EUA
Direção: Stephen Simon
Elenco: Henry Czerny, Ingrid Bouting e Bruce Page
Duração: 110 min.
Estréia: 11/05/2007
Ano: 2006


Ai meu Deus!


Autor: Cesar Zamberlan

Uma vez me indagaram sobre o que poderia ser pior no cinema que um filme de auto-ajuda? Não tinha uma resposta na época. Hoje tenho: um filme sobre um escritor de livros de auto-ajuda, ou seja, filmes como “Conversando com Deus”, de Stephen Deutsch, sobre o escritor Neale Donald Walsch.

É difícil entender o que levaria qualquer distribuidora de filmes, em tempos de poucas salas sobrando – principalmente por conta dos grandes blockbusters que as invadem, hoje em dia, às centenas -, com alguns títulos bem respeitáveis aguardando a vez na fila, a colocar um filme como esse no circuito. Imagino que seja a tentativa de aproveitar o momento religioso da chegada do papa para arrecadar um pouquinho mais: a voraz lógica de mercado. Não que o filme não devesse ser lançado e não terá público, talvez tenha - mesmo sendo um horror. O que assusta é que, com tantos filmes bons esperando uma chance para serem lançados, se queime uma sala que poderia vir a abrigar algum filme de arte, por exemplo - sempre relegados a um segundo plano -, com um trabalho que mais lembra os piores momentos da programação de telefilmes da madrugada na televisão aberta.

“Conversando com Deus” tem toda a cara de um telefilme pré-controle remoto, ideal para embalar o sono até mesmo dos mais insones. A narrativa é quadradíssima, flashbacks óbvios, músicas melosas, fotografia com momentos new age e todos os clichês possíveis e imagináveis. Fórmula à altura da história que é levada às telas, a do escritor Neale Donald Walsch que chega ao fundo poço, ou literalmente da lata de lixo, e acaba dando uma virada na sua vida quando passa a ouvir a voz de Deus, que lhe dita o livro do mesmo nome.

Sim! Walsch conversa com Deus, faz ao todo poderoso várias perguntas e obtém respostas. Respostas que renderam sete livros, muita grana e este filme. Não li os livros e nem os lerei, mas imagino que por pior que possam e devam ser não superam em ruindade este filme: uma das piores coisas que o circuito colocou em cartaz esse ano e olha que o número de filmes ruins não foi pequeno.

Leia também: