PROIBIDO PROIBIR:


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Original: Idem
País: Brasil
Direção: Jorge Durán
Elenco: Caio Blat, Alexandre Rodrigues, Maria Flor, Edyr Duqui, Adriano de Jesus, Luciano Vidigal, Raquel Pedras.
Duração: 100 min.
Estréia: 27/04/2007
Ano: 2006


Artificialismo que se sobrepõe à afetuosidade


Autor: Filipe Furtado

Não se pode negar: "Proibido Proibir" é um filme afetuoso. Um trabalho de aproximação com o universo dos seus jovens personagens (não surpreende saber que seu diretor, Jorge Duran, é há muito professor universitário). O filme esbanja simpatia. Dito isso, há uma distância - bem grande - entre a tentativa de Duran e o resultado do seu filme. A despeito dos consideráveis esforços de seu talentoso jovem elenco, o filme vai aos poucos girando em falso e soando cada vez menos verdadeiro. O que é grave num filme de proposta como essa.

"Proibido Proibir" é um filme que acaba revelando muito sobre as diferenças entre conceber um filme e executá-lo. Vejamos o personagem de Caio Blat. A idéia de Duran era de criar um tipo que seria um poço de contradições. Até ai tudo bem, mas ao mesmo tempo em que as necessidades da trama o colocam como residente num hospital, basicamente tudo no comportamento dele diz ao espectador que aquele sujeito nunca chegaria tão longe num curso de medicina. E as tais contradições no seu comportamento soam menos como uma pessoa real nas suas múltiplas facetas e mais como um construto de um roteirista que está se esforçando um pouco demais.

Proibido Proibir é marcado por estas idéias cujo artificialismo acaba atropelando o projeto de aproximação com o universo dos personagens que o filme pronuncia. Tenta-se, por exemplo, estabelecer uma relação especial de sensibilidade com a arquitetura do Rio de Janeiro – uma das personagens estuda arquitetura –, só que novamente tenta-se um pouco a mais e o ponto acaba super-elaborado e se perdendo. Nisso tudo, "Proibido Proibir" denuncia suas origens como filme de um roteirista, que parece acreditar que precisa sublinhar demais seus conceitos e idéias. E não ajuda muito que Duran não seja especialmente hábil na condução da câmera, com o filme todo sendo bastante marcado por algumas opções de decupagem inexplicáveis.

Por fim, qualquer interesse e simpatia que o filme gere se perde quando, na segunda metade, o cineasta resolve enveredar pelo caminho do policial sociológico. É um registro em que "Proibido Proibir" nunca parece à vontade, que parece estar lá porque os realizadores decidiram que aqueles personagens e seu universo não bastavam, que seria preciso uma dose de realidade (que ironicamente termina sendo o elemento mais falso do filme). O que termina nos sobrando são algumas atuações, momentos furtivos e um olhar afetuoso, num filme onde a distância entre intenções e resultados é bastante acentuada.


Filipe Furtado é editor da Revista Paisá

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