O INFERNO:


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Original: L´enfer
País: França
Direção: Danis Tanovic
Elenco: Emmanuelle Béart, Karin Viard e Guillaume Canet.
Duração: 98 min.
Estréia: 20/04/2007
Ano: 2005


Tanovic não é Kieslowski


Autor: Leonrado Mecchi

“O Inferno” é a segunda parte da trilogia deixada pelo mestre polonês Krzysztof Kieslowski antes de sua morte em 1996. Enquanto a primeira parte, “Paraíso”, foi realizada em 2002 pelo diretor Tom Tykwer (“Corra Lola Corra”), esta segunda parte foi dirigida por Danis Tanovic, premiado pelo seu longa de estréia, “Terra de Ninguém”.

A comparação com o que teria sido o filme caso Kieslowski tivesse vivido o suficiente para dirigi-lo é inevitável e injusta. Inevitável porque o diretor polonês possuía um estilo inconfundível, marcante e contundente. Injusta pois, por mais que tente ser fiel ao espírito de Kieslowski, trata-se de um filme de Tanovic, com tudo o que isso possa trazer de positivo ou negativo.

E é preciso dizer que Tanovic mais acerta do que erra nesta sua leitura da segunda parte do roteiro livremente inspirado na obra de Dante. “O Inferno” possui uma belíssima produção, que vai da fotografia ao cenário, passando pela trilha sonora e as interpretações precisas de Marie Gillain, Karin Viard e Emmanuelle Béart (que, curiosamente, também foi protagonista de um filme homônimo dirigido por Claude Chabrol em 1994).

O filme parte do mito grego da Medeia, de Eurípedes, para tratar de temas caros a Kieslowski – como a relação entre destino e livre arbítrio, tragédia e drama –, através da história de três mulheres e da dificuldade que encontram na relação com os homens. As histórias aparentemente desconexas vão se interligando ao longo do filme, enquanto o espectador tenta juntar as peças que lhe vão sendo entregues para formar um quadro mais amplo da dificuldade das relações humanas e da complexidade da alma feminina.

Essa estrutura em forma de quebra-cabeça e a produção minuciosa (em especial a fotografia e edição) são algumas vezes utilizadas para esconder a dificuldade que Tanovic teve em demonstrar a complexa trama de relações humanas e a espiritualidade latente nas obras de Kieslowski, mas de modo geral trata-se de um filme pungente e de direção segura. Uma bela amostra do impacto que a visão de mundo de Kieslowski ainda é capaz de causar nos dias de hoje e da qualidade que o jovem diretor bósnio Danis Tanovic possui.

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