VENTOS DA LIBERDADE:


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Original: The wind that shakes the barley
País: Inglaterra
Direção: Ken Loach
Elenco: Cillian Murphy, Padraic Delaney, Liam Cunningham, Gerard Kearney, William Ruane, Roger Allam, Laurence Barry, Frank Bourke, Fergus Burke, Antony Byrne, John Crean, Máirtín de Cógáin, Orla Fitzgerald.
Duração: 127 min.
Estréia: 13/04/07
Ano: 2006


Perdendo força de persuasão


Autor: Cid Nader

O didatismo de Ken Loach quando configura seus filmes sobre política é algo extremanente calculado e imaginado, como que para levar seus recados de maneira professoral, para que não sejam contestados e assimilados sem questionamentos. Pessoas discutem esse seu método como se fosse produto de mente infantil na maneira de se manifestar; como se fosse oriundo de atos de um diretor que empreende uma cruzada um tanto "santificada", quanto "atrasada" e inocente. O fato, em minha opinião, não está nesse tipo de colocação - já que imagino toda a sua obra, desde o início, deliberadamente voltada à catequização dos "impuros" politicamente, mas feita de maneira consciente, pensada, sabendo que seu "panfletarismo" é um método bastante interessante e ainda eficaz de emanações opinativas. O que ocorre, porém, é que seu cinema tem perdido, nitidamente, qualidade como arte de desenvolvimento de trama. Gostava bastante de seus filmes do início - apesar de toda a carga descaradamente panfletária, imagino que o mundo ainda seja terreno bastante cultivável e mal-tratado (basta ver o direcionamento das riquezas mundiais e o quanto pouco avançamos nas questões das melhorias sociais, muito ao contrário, com algumas "regressões" impressionantes) - e sentia que seus recados nos eram passados com eficiência e com obras que não nos faziam questionar posicionamento de câmera, ou problemas no desenvolvimento de andamento, por exemplo.

Acontece que, em seu filme anterior, "Apenas um Beijo" (2004), sua carreira parece ter tomado uma decisão equivocada que eu não imaginava pudesse vir a ocorrer. Naquele filme, o didatismo deu vez a uma seqüência de clichês, tanto na avaliação da questão abordada, quanto na forma de realização "técnica" de um filme. Um amontoado de bobagens se sobrepuseram à sua tática de guerrilha, e um produto belamente embrulhado mas com cheiro ruim vindo de dentro nos foi dado de presente. O diretor optou – como sempre tem feito, é verdade – errado. Acusou errado. Mexeu com religiosidade, mas de maneira superficial, quando cutucou somente os clichês que emolduram e "definem" de maneira rasa alguns "modos" de agir e alguns dogmas.

Parece que um rumo ruim continuou a ser seguido após depreendermos o que se passou na tela após a exibição de "Ventos da Liberdade" – ruim de outra maneira em relação ao filme anterior, mas ruim, ainda . Numa espécie meio que descarada de refilmagam de Terra e Liberdade" - no estilo, na maneira de impor importância às seqüências (com jeitos e momentos copiados do outro trabalho, como as seqüências de "interlúdio" entre as ações mais viris de combate, para as discussões orais, onde fica bastante nítido que as opiniões partem de origem e premissas diferentes, embora no final o inimigo seja o mesmo, o vizinho, da mesma raça; aliás, esse é um ponto forte do filme, apesar - citando novamente - de estar copiando fórmulas próprias e já utilizadas no filme da Espanha), e até na importância de quem morre em sacrifício. Loach nos conta um momento bastante turbulento, em que a Irlanda extremamente oprimida pela Inglaterra. resolve sair das discussões interiores (de dentro das casas), para engendrar ações mais contundentes contra o rei e seu exército. Exerce sua maneira de fazer cinema, retratando mais diretamente seu povo. Percebe-se que pela proximidade óbvia do diretor, pelo assunto e pelo local, os personagens são bem desenhados, com detalhes particulares que só os semelhantes podem perceber com mais justeza. Mas isso é uma das poucas virtudes - junto com as discussões - dentro de um filme que se "embanana" e escorrega novamente em armadilhas; de excessos de clichês, e facilitações técnicas e de montagem. O panfletário continua, mas parece que achou importante maquiar-se antes das aparições.
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