HOLLYWOODLAND - BASTIDORES DA FAMA:


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Original: Hollywoodland
País: EUA
Direção: Allen Coulter
Elenco: Adrien Brody, Diane Lane, Ben Affleck, Bob Hoskins, Lois Smith, Robin Tunney, Larry Cedar, Jeffrey DeMunn, Brad William Henke, Dash Mihok , Molly Parker.
Duração: 126 min.
Estréia: 09/03/07
Ano: 2006


Os super-heróis também sofrem


Autor: Cid Nader

Levado com tocada de filme noir, "Hollywoodland – Bastidores da Fama" não decepciona aos fãs do gênero. Ao investir seus neurônios no propósito de contar a história e os mistérios que cercam, até hoje, a morte através de um tiro do ator George Reeves – que protagonizou o papel de "Super Homem" na série televisiva do final dos anos 1950 – o diretor Allen Coulter não poupou esforços, grana ou as possibilidades que os produtores do cinemão de entretenimento lhe possibilitaram. Com reconstituição de época primorosa, um passo para dar credibilidade, e a tal cara de noir, ao filme, já estava dado. Acontece, que somente as aparências até podem enganar por um tempo determinado, ainda mais se levarmos em conta que um tipo de público abdica de condições mais inteligentes se o formato ou o verniz forem o "suficiente" para lavar a alma. Mas o diretor não se fez de rogado e caprichou, também, na escolha de um roteiro bastante elaborado – sem ser extremamente ousado, mas repleto de imaginação e coragem (algo que anda em falta na Meca da arte) – a partir do qual, colocou em discussão as possíveis razões da morte do ator. Criou em imagens a possibilidade do suicídio, e também as de assassinato, sendo que a coragem do diretor se fez presente quando investiu numa forte e ousada hipótese, que dirigia a suspeita de um dos envolvidos no caso ter sido um dos grandes executivos de Hollywood à época – no caso Eddie Mannix, interpretado aqui, contidamente, por Bob Hoskins.

O clima de filme noir ganha sua razão de ser pela contratação de um detetive particular, Louis Simo (Adrien Brody), por parte da mãe de Reeves, inconformada com a atuação da polícia no caso. E como todo detetive que se preze nesse tipo de situação, Simo faz tudo que tem direito para dar legitimidade ao histórico da função: apanha, tem pouca grana, é esperto, se mete em enrascadas e mostra coragem; tudo com o mesmo peso de importância na composição do personagem. Mas o trabalho vai mais além, e essa é uma de suas boas qualidades: as situações criadas pelo diretor (principalmente quando vividas pelo detetive), com as quais ele adentra a cena do crime e imagina as possibilidades do que teria acontecido na noite da morte, são exemplares pelo modo como se formam e pela maneira que são desenhadas. E para completar o acerto na escolha do ator/detetive, Adrien Brody tem a cara perfeita para esse tipo de papel: magra, meio gozada com seus olhos de cantos caídos, distraído e perspicaz ao mesmo tempo; manda bem e é mais uma das razões de o filme se sustentar bem.

O filme desenvolve bem quando nos facilita perceber a enormidade do prestígio do ator/herói naqueles primeiros momentos de "alegria" que insistiam em se fazer cada vez mais presentes após o período depressivo da II Grande Guerra, e seus rescaldos. Há um grande e emocionante momento quando, num restaurante, fumando e meio gordo, George Reeves (Bem Affleck) percebe um grupo de crianças grudado na janela, pulando e excitadíssimo, incrédulo diante da "impossibilidade cósmica" de estar vendo do outro lado ninguém mais ninguém menos do que o próprio Super-Homem – as caras delas e o jeito como a cena foi montada são suficientes para passar a real dimensão do que representava o super-herói no imaginário delas naquela época dos Estados Unidos. Como quase todas as produções do gênero, tem alguns penduricalhos e pieguices que sobram um pouco? Tem! Mas é tranqüilo de resto e correto nos momentos de flash-back, que se misturam sem necessidade de alarde, para fazer justiça à calmaria estética adotada pelo diretor para conduzir o filme. Uma pedida que tem mais razões para agradar do que de passar totalmente incógnita pelas nossas salas.
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