CANDY:


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Original: Idem
País: Austrália
Direção: Neil Armfield
Elenco: Abbie Cornish, Heath Ledger, Geoffrey Rush, Tom Budge, Roberto Meza-Mont, Tony Martin.
Duração: 108 min.
Estréia: 02/03/07
Ano: 2006


Heroína, do paraíso ao inferno


Autor: Cesar Zamberlan

“Candy” trata de um tema sempre doloroso: pessoas viciadas em heroína e sua jornada do paraíso ao inferno. Essa divisão é usada pelo próprio filme que é dividido em três atos: paraíso, a descoberta do prazer que a droga traz; terra, a descoberta do vício, e inferno, as tentativas de parar de usar a droga e as seqüelas futuras. Só que essa divisão em atos não serve apenas a relação ao uso da droga, marca também a relação de Candy, personagem, e seu namorado e depois marido Dan.

A relação do casal, que gira em torno da heroína, dá ao filme um contorno diferente em se tratando dos outros filmes que abordam o tema. Eles são belos, inteligentes, filhos de pais bem “resolvidos”, mas nem por isso deixam de ser suscetíveis à droga e seu perigoso prazer. “Candy” evita os clichês comuns a este tipo de filme, não tenta em momento arranjar motivos que justifiquem a “queda” do casal e se há alguma insinuação de uma relação mais que afetuosa entre Candy e o pai, um suposto abuso, ela é tão sutil que nem dá para afirmar que seja verdadeira.

Da mesma forma, Casper o pai de Dan, também viciado em heroína, é retratado de maneira isenta e é curiosa a sua relação com o filho e a nora. Ele, às vezes, cede a droga ao casal, mas aponta que o caminho que seguiram é torturante. No início do filme, é uma fala dele que deixará marcada a história que o espectador e o casal viverá. Sobre a heroína, ele diz: “quando você pode parar você não quer; quando você quer, você não pode”. O filme explorará justamente isso e o que sobra da relação, se é que sobra, após esse mergulho no inferno.

Leve na sua construção – apesar do tema -, sem cair em situações muito esquemáticas, o filme não foge daquilo que é previsível e vaticinado por Casper, mas o dado positivo, além do trio de atores: Heath Ledger de Brokeback, Abbie Cornish e Geoffrey Rush, é que o filme respeita os personagens, torna-os dignos, coisa rara em se tratando de filmes que tematizam as drogas. Candy, Dan e Casper não são monstros e nem fracos, são humanos.

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