NOTAS SOBRE UM ESCANDÂLO:


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Original: Notes on a Scandal
País: Inglaterra
Direção: Richard Eyre
Elenco: Judi Dench, Cate Blanchett, Tom Georgeson, Andrew Simpson, Bill Nighy, Max Lewis, Juno Temple.
Duração: 92 min.
Estréia: 02/03/07
Ano: 2006


Direção e música anulam boas atrizes


Autor: Cesar Zamberlan

“Notas sobre um escândalo” dirigido por Richard Eyre, o mesmo de “Iris” (2001) e “A Bela do Palco” (2004), é uma grande decepção. O filme desperdiça o talento de Judi Dench e Cate Blanchet, duas das melhores atrizes do cinema atual, e não consegue em momento algum articular planos, cenas e seqüências para criar a história ou nos passar o drama das personagens.

Toda a narração se estrutura a partir do off de Denchi que lê trechos do diário que a personagem Bárbara, vivida por ela, escreve. E é por meio de Bárbara, a velha professora, que teremos acesso à história e ao universo no qual o tal escândalo irá ocorrer. O expediente inicial, no entanto, será desdobrado depois e a narração ficará dividida entre a leitura do diário na voz da personagem e a narração da câmera que irá registrar as cenas relatadas no diário.

Essa dupla narração, o entanto, funciona mal e prevalece o texto escrito. É ele, mais que as imagens, que construirá a trama, indicar os conflitos e os estados de alma, sobretudo, daquela que o escreve.

E para piorar a situação, o desenvolvimento da trama já tão frouxo e tão induzido pelo texto, será marcado pela gritante, grandiloquente, exacerbada, vaidosa, trilha sonora de Phillip Glass que parece retornar aos temas apocalípticos de “Koyanasqatsi”.

A trilha enterra o filme, sepulta toda e qualquer sinal de respeito ao espectador e de inteligência que poderia haver – mas não há – na “mis-en-scene” do filme. Seu uso inadvertido é reflexo dessa incapacidade também gritante do diretor em construir com imagens aquilo que o texto deveria sinalizar e aquilo que as atrizes, com seu potencial dramático inconteste, poderiam sugerir e representar. Assim a música aponta para uma carga dramática que o filme não constrói em momento algum.

Richard Eyre ao escolher essas opções narrativas e acentuá-las nega o próprio cinema em sua essência. Ao apostar na narração do diário e na música mostra o quanto seu poder de criar imagens é limitado, nem parece o mesmo diretor que fez “Íris”, um filme tocante e belo ao retratar a velhice.

E frise-se que a história é rica em conflitos. A personagem de Bárbara e a forma como ela vê e manipula as pessoas ao seu redor, a forma como lida ou não consegue lidar com sua homossexualidade é de um potencial enorme. O mesmo pode ser dito da personagem de Cate Blanchet, Sheba Hart, e seu marido. Mas, nenhum deles tem espaço no filme. O filme nem mesmo consegue justificar porque Sheba se envolve com o aluno. As cenas dos dois transando são incrivelmente frias, sem paixão. E essa falta de paixão está registrada em cada fotograma do filme.

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