NEM TUDO É O QUE PARECE:


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Original: Layer Cake
País: Inglaterra
Direção: Matthew Vaughn
Elenco: Daniel Craig, Colm Meaney, Sienna Miller.
Duração: 105 min
Estréia: 05 de agosto
Ano: 2004


Um bolo sem muito sabor


Autor: Cesar Zamberlan

Não vou comparar “Nem Tudo é o que Parece”, filme do diretor Mathhew Vauhgn, com os filmes de Guy Ritchie que ele produziu, por um simples motivo: não me lembro de ter visto “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes” e nem “Snatch – Porcos e Diamantes”. Certamente não os vi.

Falarei então sobre o filme sem essa referência e confesso que é tentadora a idéia de compará-lo a outros filmes que tratam da questão do crime organizado, do tráfico de drogas, da disputa pelo poder entre gangues rivais e da impossibilidade de confiar em quem quer que seja nesse ambiente movediço e traiçoeiro do crime.

“Nem Tudo é o que Parece”, “Layer Cake” no origina, ou seja, “camadas de bolo” - retrata esse universo tão conhecido do cinema, mas sem oferecer algo de novo ou mesmo instigante. O filme - aproveitando o título original - parece aquele bolo de aniversário: bonito, cheio de camadas, mas que logo na primeira garfada se mostra totalmente insípido e o que é pior: gelado. Este é o problema de “Nem Tudo é o que Parece”, ele não empolga, não envolve, é frio como o seu personagem principal, o XXXX – não tem nome mesmo, não é erro do site e nem de quem escreve.

Aliás, a ausência do nome do personagem pode ter dupla explicação: a primeira, relacionada à discrição necessária para se envolver na atividade criminosa; a segunda, relacionada à descrição de um esquema que se renova e elimina constantemente aqueles que já não mais servem a engrenagem do crime e do tráfico.

Se bem que XXXXX em narração em off, no início do filme, diz que não é um gangster, mas um negociante e que um dia as drogas serão legais. Aliás, a primeira frase do filme é uma pérola: “quando eu nasci o mundo era bem mais simples”. E depois os hippies, as drogas...

Mas, esqueçamos isso e vamos ao filme. A história de XXX (imagino que a quantidade de Xs não seja o mais importante) muda a partir do momento em que ele consciente dos riscos que está correndo e já satisfeito com o que ganhou, resolve parar. Seu chefe, ao perceber isso, lhe pede um favor: que ache a filha de um amigo, também traficante, que desapareceu e é viciada em drogas pesadas. O chefe deixa bem claro que não existe a possibilidade de XXXX recusar o favor e que não há como ele deixar “jogo”, ou seja, que sabe muito bem do desejo dele de se “aposentar”. Fora isso, o chefe faz com que XXX negocie com Duke, um outro traficante, uma enorme quantidade de pílulas de um ecstasy concentrado que Duke e sua caricata gang “trouxeram” da Holanda.

É óbvio que a “aposentadoria” de XXX está terrivelmente comprometida e mais do que isso, uma série de reviravoltas – o que justifica o título em português, nem tudo é o que parece – irão ocorrer, colocando o frio gangster, ou melhor, negociante, numa fria daquelas. Nesse show de peripécias, ou seja, reviravoltas, entram na trama outros gangsteres, entre eles, sérvios procurados por crimes de guerras integrantes de células criminosas radicais, surge uma negociata com uma republiqueta africana em guerra contra comunistas insurgentes, crimes do passado só agora são revelados, vinganças, ligação de traficantes com a polícia, entre outros clichês e revelações que tentam costurar um roteiro que ao tentar surpreender sempre o espectador, acaba por cansá-lo.

“Nem Tudo é o que Parece” é um filme medíocre na correta acepção do termo, ou seja, sem expressão ou originalidade; mediano, pobre, banal, passável. Nem mesmo algumas seqüências um pouco mais criativas, duas, na verdade, salvam o filme. Qualquer dia desses procurarei os filmes de Guy Ritchie para ver se destes tenho impressão melhor. Sai do cinema, de certa forma, frustrado.
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