BRICHOS:


Fonte: [+] [-]
Original: Idem
País: Brasil
Direção: Paulo Munhoz
Elenco: Animação
Duração: 77 min.
Estréia: 02/02/07
Ano: 2007


Animação Nacionalista


Autor: Cid Nader

Os desenhos dos personagens de "Brichos" são simples, de cor única e definida (cada um com a sua, obviamente) e envolvidos por traço simples que encerra contornos e não permite aventuras gráficas fora de seus próprios corpos. Isso já dá uma certa pista do que se verá nessa animação: uma produção simples – sem que isso deva ser considerado como um defeito -, que tem um público alvo em crianças pequenas (apesar de estar definido no site da produção como direcionada a público infanto-juvenil), que narrará uma história sem muita preocupação com floreios e invenções exageradas, e com um forte apelo em favor da solução familiar e de tom reforçadamente nacionalista.

Ao iniciar sua história, o diretor curitibano Paulo Munhoz, já trafega com sua "câmera" - sim, obviamente falar em trabalho de câmera em animações deve ser entendido como um "truque" resolvido na mesa de montagem (ou computador) – por inumeráveis paisagens/marcas do Brasil, antecipando que está ali para contar uma aventura nacionalista, vivida por animais exclusivamente de nossa fauna. A "câmera" flutua, se aproxima, contorna e realiza mais uma infinidade de "trejeitos", demonstrando desde o início que o filme procurará prender um pouco da atenção através do uso de uma estética aproximada à do cinema de atores reais. Essa aproximação das possibilidades do cinema "real", acaba por criar um certo estranhamento quando contrastada ao traço do desenho e sua assumida falta de "arrojo". Isso é, o desenho tem matiz típico para atingir uma camada de público que não necessita ser abduzida por pirotecnias desnecessárias, mas é conduzido com seus personagens pelo trabalho mais "virtuoso" do andamento, da costura, da "filmagem". Aliás, um dos desenhistas – o único que conheço -, o Tadao Miaqui, é craque no assunto, e o fato de ele fazer parte da equipe só reforça a impressão da intencionalidade do traço simples.

É um tanto questionável o teor extremamente nacionalista da trama. Não questiono os personagens em si – acho bastante pertinente a utilização de bichos de nossa fauna para representarem a velha a e boa desavença de gerações que é um dos pilares do enredo. Não questiono o final família pois a proposta do filme é de atingir uma camada de espectadores que ainda não merecem ser cutucados pelas complicações do viver. Só ponho em dúvida o quão necessário foi o "ultrapassar" a idéia original da homenagem à nossa natureza, nossa fauna, para num inocente jogo de vídeo-game vermos vilanizados os estrangeiros – sem concessão, sem perdão. Pode ser até um exagero meu, pode nem "bater" para as outras pessoas, mas me incomodou um pouco.

De resto vale notar que a música tem a ver com a proposta, que os sotaques dos personagens dão força à idéia da abrangência nacional da história, e que – em contrapartida - o ritmo por vezes (principalmente no início) é lento demais com ausência de sons ao fundo e personagens sem muito o que dizer. E que é importantíssimo, de qualquer forma, um trabalho no formato longa dentro da animação brasileira, principalmente por conta da qualidade superior de uma rapaziada que aguarda possibilidades sem ter que zarpar mundo afora.
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