O CASTELO ANIMADO:


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Original: Hauru no ugoku shiro / Howl's Moving Castle
País: Japão
Direção: Hayao Miyazaki
Elenco: Animação
Duração: 119 min
Estréia: 05 de agosto
Ano: 2004


“O Castelo Animado”: Miyazaki viaja grande


Autor: Fábio Yamaji

No tempo, no espaço e na imaginação. Ao contrário de seu filme anterior - a obra-prima “A Viagem de Chihiro” – que começa num mundo “normal” e logo entra num mundo de fantasia, “Castelo Animado” anuncia já em sua primeira cena que o fantástico é rotina nesta história. Em plano inicial antológico, comparável em efeito à abertura de “A Doce Vida” de Fellini (um helicóptero transportando uma estátua sobre Roma), o tal Castelo surge no céu chamando a atenção das pessoas, mas sem causar medo ou estranhamento. Normal. Segue-se então uma trama onde tudo é possível: feitiços, transformações, teletransportações, habilidades especiais. Nada acontece de sobreaviso, somos pegos sempre de surpresa, felizmente. Mas não se afija, o diretor cuida pra que nada saia de seu controle.

Claro que existe uma lógica pra tudo isso, mesmo que entendida somente pelos personagens do filme. Valem as leis da fantasia. Confie e deixe-se levar. Aliás, é um erro achar que os filmes de Miyazaki sejam sofisticados demais para a compreensão das crianças. Pelo contrário, elas absorvem muito melhor esse tipo de viagem fantástica, já que faz (ou deveria fazer) parte de suas criações nas brincadeiras do dia-a-dia. A identificação é imediata.

E assim, “O Castelo Animado” honra a real vocação do cinema de animação, que por sua versatilidade e potencial artístico se torna campo ideal para a expressão do impossível, do fantástico e do incrivelmente belo (ou incrivelmente feio). Hiper-realismo digital? Fora!
Os personagens contrastam entre si em suas concepções visuais. Bichinhos fofinhos e jovens adoráveis convivem harmonicamente com figuras grotescas e repugnantes, não sendo necessariamente os heróis e os vilões da história, respectivamente. Aliás, o maniqueísmo barato passa longe deste filme. Confusão é regra. “O Castelo Animado” é um oásis do gênero, neste sentido.

Vale ainda reparar na elaboração detalhada e preciosa de cenários e máquinas – com cores vibrantes e formas espetaculares, frutos do design inventivo do estúdio japonês Ghibli. Destacam-se os sensacionais “aviões” de Miyazaki, que volta aqui a homenagear sua grande paixão, em variados voadores.

Das poucas opções de salas pra ver o filme legendado (em São Paulo) sugiro o recém-inaugurado Reserva Cultural, que ocupa o lugar do antigo Gazetinha na Avenida Paulista. Escolha um lugar numa das primeiras seis fileiras e curta “O Castelo Animado” em poltrona confortável, projeção correta e moderno sistema de som – que faz sobressair os elaborados efeitos sonoros e a bela trilha de Joe Hisaishi.

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