A ILHA:


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Original: The Island
País: EUA
Direção: Michael Bay
Elenco: Ewan McGregor, Scarlett Johansson, Sean Bean, Djimon Hounsou, Steve Buscemi, Michael Clarke Duncan
Duração: 105 min
Estréia: 05 de agosto
Ano: 2005


Filme-clone diverte por 2 horas, mas não espere mais do que isso.


Autor: Rogério Ferraraz

Difícil tarefa ter que escrever uma crítica sobre um filme como este “A ilha” (The Island, EUA, 2005), que estreou em circuito nacional na última sexta-feira, dia 05 de agosto, e não lembrar das bombas anteriores do diretor Michael Bay, “A rocha”, “Armageddon” e “Pearl Harbor” – em sua curta e rala filmografia, os únicos trabalhos que têm algum atrativo são os dois “Bad Boys”, estrelados por Martin Lawrence e Will Smith, com ligeira vantagem para o primeiro. Mas, grata notícia, o cineasta entrega aqui seu melhor e mais bem acabado filme – o que, convenhamos, não é lá grande coisa se levarmos em consideração seu pífio currículo.

A vantagem desta obra está principalmente na premissa do roteiro, abordando um assunto cada vez mais pertinente e presente, a clonagem humana; na escolha do elenco, com destaque para o casal central Ewan McGregor e Scarlett Johansson (esta, uma excelente atriz que rapidamente deverá alçar ao status de estrela); e no desenho de produção, caprichado e correto, apesar de lembrar outros filmes que serviram claramente de fonte para este aqui.

No ano de 2019, após uma catástrofe ecológica, os poucos sobreviventes saudáveis e não infectados vivem numa espécie de abrigo. Tudo ali é branco, das roupas idênticas ao ambiente asséptico em que transitam. A vida é extremamente regrada em funções padrões e nem mesmo a aproximação entre homens e mulheres é permitida. A única compensação para aquelas pessoas é uma loteria, que sorteia a ida para a sonhada Ilha, único refúgio não afetado pelo desastre que acabou com todo o resto do planeta. Nesse contexto, Lincoln 6 Echo (McGregor) começa a questionar tudo o que se passa ali e se interessa por Jordan 2 Delta (Johansson). Ao descobrir que a ida para a tal ilha é uma farsa e que os sorteados têm seus órgãos retirados e são mortos, Lincoln resgata Jordan e os dois fogem, indo buscar respostas para tudo que está acontecendo em suas vidas. Descobrem fazer parte de um programa de clonagem humana, patrocinada por clientes milionários. Falar mais é estragar o pouco de interesse que o roteiro – um amontoado de clichês e situações retiradas de outros filmes do gênero – reserva.

A lista de filmes cujas idéias e/ou situações são citadas ou copiadas aqui é imensa, indo de “THX – 1138” a “Gattaca – Experiência genética”, passando, é claro, por “Blade Runner – O caçador de andróides” e “Fuga do século 23”. Bay consegue, com este “A ilha”, atingir o ápice de um tipo específico de filme, que tem tudo a ver com a própria estória retratada: o filme-clone, aquele que é extremamente similar ao seu original, mas vazio, sem alma – termo que se pode traduzir aqui por palavras como criatividade, inventividade, inteligência e afins.

Na verdade, o filme de Michael Bay, apesar de contar com um enredo pertencente ao universo da ficção científica, deve ser visto e analisado pelo que, na verdade, ele é: um típico filme de ação hollywoodiano, em que as seqüências eletrizantes, as perseguições automobilísticas, as explosões e os efeitos especiais dão o tom. Esqueçam situações bem resolvidas, verossimilhança e bom senso. Aqui o que vale é conseguir prender o espectador durante duas horas repletas de tiros, brigas, engenhocas futuristas, frases de efeito e piadas sem graça. E até que, nisso, o filme acaba se saindo bem. Se você não for assistir a ele pensando no último Godard que o perturbou ou naquele épico de Zhang Yimou que tanto o encantou, é bem capaz de você se divertir. Mas, depois do fim da sessão, nem tente relembrar o que você acabou de ver, pois sua cabeça já estará pensando no Big Mac mais próximo ou na enorme fila para pagar o estacionamento.

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