APOCALYPTO:


Fonte: [+] [-]
Original: Idem
País: EUA
Direção: Mel Gibson
Elenco: Rudy Youngblood, Dalia Hernandez, Jonathan Brewer, Morris Birdyellowhead, Carlos Emilio Baez, Ramirez Amilcar, Israel Contreras, Israel Rios, María Isabel Díaz, Iazua Larios.
Duração: 136 min.
Estréia: 25/01/07
Ano: 2006


Eu não sei o que dizer sobre o Mel Gibson...


Autor: Laura Cànepa

...mas vou tentar.

Primeiro, é preciso que se diga que eu não tenho nada contra filmes violentos. Aliás, gosto deles. E nem cobro desses filmes algum "sentido" intelectualmente justificável, pois acredito que a pura sensação pode ser o seu próprio sentido. Mas me incomoda quando uma situação violenta qualquer se torna pretexto para o mero exercício do sadismo do diretor do filme. Nesses casos, fico um pouco incomodada.

Então, o que dizer sobre o mais novo lançamento do Mel Gibson, "Apolalypto"?

Sobretudo, algo que já sabemos: que o Mel Gibson é maluco. Mas isso não é tudo: trata-se, afinal, de um maluco-autor. Um cara que escolhe temas recorrentes para seus filmes, que tem um determinado estilo de direção, que sente atração pelas histórias de grandes aventuras épicas, que pesquisa linguajares nativos e mesmo línguas mortas para ambientar suas histórias da maneira mais "realista" possível. E, sobretudo, que gosta de ver seus personagens sofrerem. Muito.

Talvez o fervoroso catolicismo explique um pouco a atração do cara pelo martírio físico de seus heróis, mas tem alguma coisa ali que está definitivamente "fora da casinha". E é justamente o excesso, o prazer com que ele submete seus personagens a sofrimentos desnecessários do ponto de vista da narrativa, e esteticamente exagerados, detalhados, intermináveis. Por exemplo: por que, meu Deus, mostrar dois caras tendo o coração arrancado em seqüência? Pra mim, sei lá, um só já estava bom...

Enfim, à história. "Apocalypto" se propõe a contar os últimos dias do Império Maia antes da chegada dos espanhóis. Uma tribo selvagem é massacrada por mercenários do império para ter alguns de seus membros usados no trabalho escravo, e outros nos sacrifícios humanos realizados em praça pública para aplacar a suposta fúria dos deuses. Entre os homens da tribo, um parece ser uma espécie de "escolhido de Deus" para vingar seu povo e conduzir a civilização maia para o seu fim.

Do ponto de vista do filme de aventura, "Apocalypto" funciona melhor que os anteriores "Paixão de Cristo" e "Coração Valente". É muito bem filmado, tem ótimas seqüências de perseguição na selva, atores razoáveis, boa trilha sonora, uma (aparentemente) boa reconstituição de época, uma pesquisa admirável para fazer todo o filme falado na língua dos maias (ou algo que se pareça com isso). Mas todo esse esforço de verossimilhança parece muito mais uma moldura para o que o filme realmente quer mostrar: porrada.

O que dizer, então, sobre o filme? Continuo sem saber ao certo. Não acredito que seja um retrato "fiel" da civilização maia, tal como (diz que) pretende ser. A não ser que alguém descubra que os maias tinham superpoderes e eram muito mais resistenses fisicamente do que os homens de hoje. Também não acredito que seja uma crítica à violência do ser humano, um questionamento ao ideal do "bom selvagem" ou coisa que o valha. Acho que, no fundo, ele queria ser como o espetáculo que os maias faziam para os deuses e para o qual carregam nossos heróis: uma longa seqüência de decepação de cabeças para aplacar a ira... do diretor
Leia também: