VOCÊ É TÃO BONITO:


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Original: Je Vous Trouve Très Beau
País: França
Direção: Isabelle Mergault
Elenco: Michel Blanc, Medeea Marinescu, Wladimir Yordanoff, Benoît Turjman, Eva Darlan, Elisabeth Commelin, Valérie Bonneton
Duração: 97 min.
Estréia: 05/01/07
Ano: 2006


Filme de ator


Autor: Cesar Zamberlan

Um comentário do cinequanônico Fábio Yamaji após a cabine de imprensa de “Você é tão bonito” ajuda a escrever sobre o filme. Como ele não pretende fazê-lo, uso aqui a frase dele. Indagado sobre o que tinha achado, respondeu: “não sei porque esse filme existe”. A impressão é bem pertinente, pois Isabelle Mergault veterana atriz francesa que estréia na direção não deixa claro mesmo a que seu filme veio. Alguns até podem ver nisso uma qualidade. Fico no meio do caminho.

Tradicional na sua forma narrativa, “Você é tão bonito” é o típico filme que aposta todas as suas fichas no trabalho de um ator e o ator no caso tem cacife para isso: Michel Blanc. A história é simples: ele é um fazendeiro que só pensa no trabalho e quando perde a mulher, totalmente integrada à rotina do campo, se vê incapaz de tocar as atividades da casa e da fazenda. Para resolver a situação, vai à Romênia procurar uma jovem disposta a vir à França, o que diante da miséria do país, não é difícil.

A partir desta situação, o filme trabalha uma série de sub-tramas como a tentativa de Blanc, Aymé Pigrenet no filme, de esconder a viagem, bem como os motivos que trazem a romena Elena à fazenda; a relação de Elena com um empregado mudo; a própria situação da Romênia, vista pelo contato de Elena com a família etc. Mas, a trama mais interessante - e aí o filme se sustenta melhor - é a relação de Aymé e Elena.

Blanc faz um Aimé rude, antipático que não joga em nenhum momento em função do público, visando trazê-lo ao filme, pelo contrário, provoca e trabalho o distanciamento. Quebrar essa distância e chegar Aimé, será a tarefa de Elena. E nesse ponto, Mergault aborda a questão que é a mais interessante do filme e poderia ser melhor trabalhada: a dificuldade de Aymé em construir uma relação baseada no afeto e não na posse.

Michel Blanc faz nesse aspecto um Aymé bastante convincente. Chega a ficar bem perto da curva instransponível que relegaria o personagem a aridez total, intocável, fechado na sua devoção ao trabalho e a simplicidade silenciosa do campo. Pena que o filme use e abuse de tantas situações tolas para construir essa relação e seja tão pouco ousado na forma de narrá-la.
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