DIAMANTE DE SANGUE:


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Original: Blood Diamond
País: EUA
Direção: Edward Zwick
Elenco: Leonardo DiCaprio, Djimon Hounsou, Jennifer Connelly, Kagiso Kuypers, Arnold Vosloo, Antony Coleman, Benu Mabhena, Anointing Lukola, David Harewood, Basil Wallace, Jimi Mistry, Michael Sheen, Marius Weyers, Stephen Collins, Ntare Mwine.
Duração: 138 min.
Estréia: 05/01/07
Ano: 2006


A guerra, os negros, os brancos: a ambição em torno da riqueza e da insanidade que analisa a raça


Autor: Cid Nader

Alguns filmes saídos da máquina americana de entender cinema carregam em sua pretensão uma necessidade de contar histórias reais e de grande apelo humanista, invadindo invariavelmente terras distantes e seus problemas, para trazê-los e desvendá-los a públicos ávidos de conhecê-los. Mas esses modelos de realizações são manuseados com extremo cuidado na tentativa de agradar aos potenciais apreciadores, a tal ponto que chegam a colocar em dúvida a capacidade ou a coragem natural de tal segmento da cinefilia, imaginando-os sensíveis demais à crueza de um mundo além das fronteiras ianques, “muito mais violentas e selvagens”, e tendo que emoldurá-los com histórias de amor paralelas além da utilização de astros de grande apelo popular.

Então: o diretor Edward Zwick, apto e certeiro na maneira de angariar uma platéia razoável para suas produções – invariavelmente trabalha somente como produtor, como no caso de “Traffic”, de Steven Soderbergh – já havia feito a viagem para fora dos terrenos da América do Norte com a superprodução “O Último Samurai”, onde espertamente trabalhou em parceria com Tom Cruise, astro, produtor, galã e esperto marqueteiro. Sem falar em sua capacidade de transitar pelo endinheirado mundo das produções que não permitem coçar de cabeças diante da possibilidade de falta de grana ao final do trabalho. Mas então, o diretor utilizou-se de vários dos artifícios possíveis na hora de confeccionar “Diamante de Sangue”: ator pra lá de aglutinador, Leonardo Di Caprio; história sangrenta que se passa durante a guerra civil ocorrida no início dos anos 1990 na distante Serra Leoa (com massacres por diferenças raciais/tribais e políticos, também); a ambição em torno de um valiosíssimo “diamante de sangue” que moverá brancos ambiciosos, negros ambiciosos, brancos em busca de redenção e negros em busca de salvação; o amor inevitável e necessário para apaziguar as situações temerárias que acaba por constituir todo o trajeto e destino dos que desfilam pela tela (que acaba se insinuando entre o aventureiro e mercenário sul-africano Danny Ascher – Di Caprio – e a jornalista americana que cobre a guerra, MaddyBowen – a mais linda de todas e mais emocionante, também, Jennifer Connely - ...

Feita a lição de agradar “o bom público”, com a “boa história” do “sofrido povo distante da civilização branca”; constatado o resultado final, algumas surpresas mais para as positivas do que para as negativas imperam. O ritmo do filme, antes de tudo, é de agradável bom desenrolar, com ações mescladas aos momentos de maior tensão político/racial e competente trabalho de câmeras – nada muito ousado, mas longe da acomodação “clássica” do gênero. O desempenho dos atores é de quem resolveu se dedicar de verdade ao trabalho e surpreende cada vez mais o que Leonardo consegue quando instigado – obviamente é um ator em ascensão e em boa fase; sem falar no carisma e na beleza sincera e irradiante de Jennifer, que emociona a cada vez que aprece nas telas – em qualquer filme em que atue -; para não falar em Solomon Vandy (Djimon Housson) que faz corretamente, e com a expressão de terror alternando com indignação, seu papel de integrante local da barbárie. Fica a impressão de que esses pontos positivos são fortes o suficiente para acobertar as mesmices que comparecem também: os personagens muito maniqueísticamente segmentados; a música um tanto melosa que tenta ostensivamente engabelar a platéia conforme o final se aproxima; e esse mesmo final que pisa um pouco forte no acelerador da redenção e do amor distante, com as – belas sim, mas manjadas também (lembra até um pouco “O Paciente Inglês” – imagens no meio do nada de um ser que percebe que poderia ter “sido melhor “ por mais tempo. Noves fora, vale conferir.
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