SIN CITY - A CIDADE DO PECADO:


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Original: Sin City
País: EUA
Direção: Robert Rodriguez e Frank Miller
Elenco: Bruce Willis, Mickey Rourke, Benicio del Toro, Clive Owen, Jessica Alba e Rosario Dawson
Duração: 126 min
Estréia: 29 de Julho de 2005
Ano: 2005


HQ em widescreen


Autor: Fábio Yamaji

O grande atrativo deste filme está na ousadia de Robert Rodriguez em transpor uma HQ para o cinema, com o máximo de fidelidade. A experiência é espantosamente bem sucedida – no aspecto visual. A fotografia P&B em conjunto com um pesado trabalho de finalização digital aproximam as imagens filmadas aos desenhos em alto contraste de Frank Miller. Acertos na direção de arte, maquiagem, figurinos e casting também contribuem para que Sin City possa ser considerado um marco. Os planos gerais, em especial aqueles em contre-plongé (enquadramentos de cima pra baixo), são belíssimos, ricos em composição e rigorosamente fiéis à concepção de Miller. Mas duram pouco tempo em tela, engolidos pela montagem frenética do diretor.

Já a alvi-negra ambientação noir que domina o filme ganha detalhes em cores saturadas, estilizando sangue e feridas, potencializando o teor da violência. Recurso esperto e eficiente, já usada por Spielberg em A lista de Schindler (lembra da menininha de vermelho?). Mas, noto dois problemas originados por esta transposição (e não adaptação) dos livros para a telona. O primeiro vem da decisão de Rodriguez em usar a graphic novel como storyboard, e daí fazer o filme com os mesmos enquadramentos. Ora, o close de um rosto num dos quadrinhos de uma página de HQ tem outro efeito quando ampliado para uma tela de 8 metros de largura. E “Sin City HQ” é repleto de closes e planos-detalhes. Desta maneira, “Sin City Filme” tem excesso destes planos, tornando-o cansativo e até monótono.

Portanto, ao ver o filme escolha um lugar não muito próximo da tela, para aliviar um pouco este incômodo. O outro problema está na velocidade com que as estórias são contadas. Narrações em off e longos diálogos se revezam despausadamente, fazendo as estórias correrem alucinadas, sem dar espaço para a reflexão do espectador. Assim, ficamos passivos ao filme, que não nos dá a chance de digerir a trama e que por conseqüência perde em emoção. É como se tentássemos ler a graphic novel e Robert Rodriguez fosse virando as páginas rapidamente. Neste filme, sobra HQ e falta Cinema. Curiosamente (ou não) a melhor seqüência do filme é aquela realizada pelo diretor convidado Quentin Tarantino, quando Dwight (Clive Owen) tem uma conversa memorável com Jackie Boy (Benicio Del Toro) dentro de um carro. Lá a narrativa cinematográfica corre rica, livre e solta. Aliás, o elenco desta pulp fiction está especialmente bem, com destaques para Jessica Alba (claro) e Mickey Rourke - em seu melhor trabalho desde “O selvagem da motocicleta” (que não deixa de ser um antecessor estético deste filme). O saldo final, enfim, é positivo. Sin City faz a Sétima se sofisticar um pouco mais e dá um gás no cinema independente americano (sim, este é um filme independente).

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