O SEGREDO DE BEETHOVEN:


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Original: Copying Beethoven
País: EUA / Alemanha
Direção: Agnieszka Holland
Elenco: Angus Barnett, Diane Kruger, Ed Harris, Joe Anderson, Matthew Goode, Ralph Riach, Viktoria Dihen.
Duração: 104 min.
Estréia: 22/12/06
Ano: 2006


A Bela e a fera


Autor: Cesar Zamberlan

A genialidade de Beethoven já foi retratada em vários filmes, o melhor deles é ainda o filme de Abel Gance da década de 30 e o mais famoso talvez seja “Minha Amada Imortal” de Bernard Rose feito em 1994. A estes vem se somar agora “O Segredo de Beethoven” da polonesa Agniezka Holland diretora de “Jardim Secreto” e “Europa, Europa”, sem contudo desbancar o filme de Gance em qualidade ou de Rose em notoriedade.

Mas, o filme tem alguns pontos a serem destacados: a interpretação de Ed Harris que vive Beethoven e quando o filme se concentra nos momentos que antecedem a criação da 9º sinfonia, a última do compositor, até a sua première. Nesse momento, a difícil convivência com a surdez fez com que Beethoven tivesse uma relação muito mais interiorizada com a arte. Ele mesmo dizia que compunha para se libertar da música que lhe enchia o cérebro. Quando se prende a essa questão, o filme se enche de vigor e a seqüência da premiére da 9º sinfonia é como a música – e talvez mais pela música – grandiosa. Porém, esses momentos são uma exceção no filme.

A história, a partir de uma premissa verdadeira: os estudantes austríacos que atuaram como copistas e auxiliaram Beethoven, gira em torno da relação do músico com uma copista, Anna Holtz, que teria assumido um papel vital na carreira do compositor cujo gênio, usando aqui a dupla acepção da palavra, era indomável e inexplicável. Anna nunca existiu na vida real e essa liberdade poética, se assim podemos chamá-la, acaba transformando “O Segredo de Beethoven” num sub A Bela e a Fera, explorando ad nauseam a questão do confronto entre a personalidade forte, genial e arrogante do músico na sua autoridade enquanto compositor e a figura bela, mas frágil de Ana que talentosa passa por poucas e boas para se impor perante o músico, visto que para a época era impensável que uma mulher galgasse tal posição.

O filme explora ao máximo esse confronto e usa e abusa de planos e contraplanos, numa troca de olhares que acaba cansando o espectador. Em outros momentos a impressão que fica é que a câmera está sempre no lugar errado, se mostrando presente e não permitindo que exista uma adesão maior do espectador ao filme. Esse desconforto, nem a música, nem a boa atuação de Haris e a beleza de Diane krugger consegue superar.
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