C.R.A.Z.Y. - LOUCOS DE AMOR:


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Original: C.R.A.Z.Y.
País: Canadá
Direção: Jean-Marc Vallée
Elenco: Michel Côté, Marc-André Grondin, Danielle Proulx, Émile Vallée, Pierre-Luc Brillant, Maxime Tremblay, Alex Gravel, Natasha Thompson, Johanne Lebrun, Mariloup Wolfe, Francis Ducharme
Duração: 127 min.
Estréia: 24/11/06
Ano: 2005


Muita coisa para nada.


Autor: Cesar Zamberlan

“C.R.A.Z.Y” do canadense Jean-Marc Vallée é quase um épico familiar nos seus longos 127 minutos. O título, bastante indicativo da idéia que o filme faz da família, representa as inicias dos nomes dos cinco filhos de Gervais e Laurianne, mas se deterá no Z, ou seja, em Zac, o quarto filho. Zac, como Jesus, nasce num 25 de dezembro e é atormentado desde a mais tenra idade por dons sobrenaturais e por desejos homossexuais. Os dons são tidos pela família como uma ligação com o divino, já os desejos passam a atormentar também a família, preocupada com a repercussão que o despertar homossexual do garoto pode trazer entre os vizinhos e angustiada com possíveis falhas que poderiam ter tido na educação do mesmo.

Com um texto e algumas situações até engraçadas, bons atores, e, sobretudo, uma interessante reconstituição da cultura pop nos anos 60, 70 e 80, “C.R.A.Z.Y” acaba fazendo mais apostas erradas que certas e se perde num universo extremamente amplo: seja no seu recorte temporal, cerca de 30, 40 anos, do nascimento de Zac, em 1960 até anos recentes; seja, na diversidade de temas que procura abordar, tornando-se superficial e caricata ao tratar de vários deles; seja na construção de alguns personagens, caso típico dos outros irmãos que acabam virando tipos, o drogado irrecuperável, o intelectual nerd, o esportista descerebrado e porco e o caçula gordinho que ria da família.

Se Jean-Marc Vallée não tivesse atirado para tantos lados e centrasse o filme em uma única questão, a descoberta da homossexualidade e sua aceitação perante o núcleo familiar, ou na desestruturação da família a partir do momento que as escolhas dos filhos confrontam aquilo que a família tradicional perpetuou na época da sagrada família cristã, talvez tivesse dado conta do recado ou feito um filme mais redondo. Outra opção que até parece com força num momento é a posição do patriarca diante de um quinteto de filhos tão diferentes, uma espécie de virgens suicidas versão masculina. Mas, “C.R.A.Z.Y” acaba tentando ser tudo isso e acaba não sendo nada, ficando mais uma vez restrito àqueles que se identificam com a saga de Zac, como filme de afirmação da homossexualidade, mas tratando o tema de forma rasteira e, às vezes, piegas ao buscar explicações para atos e ações como se essa explicação fosse necessária, como se a homossexualidade fosse algo tão excepcional e perturbador quanto os “dons sobrenaturais” de Zac. Ao trilhar esse caminho, a imagem que fica é que o filme joga contra si mesmo e se enclausura nos próprios preconceitos que julga combater.
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