O GUARDIÃO:


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Original: El Custódio
País: Argentina
Direção: Rodrigo Moreno
Elenco: Julio Chávez, Osmar Núñez, Marcelo D'Andrea, Elvira Onetto, Cristina Villamor, Luciana Lifschitz, Osvaldo Djeredjian.
Duração: 93 min.
Estréia: 17/11/06
Ano: 2006


O Guardião peca por algumas opções estranhas ao contexto geral da obra


Autor: Cid Nader

Assuntos que são explorados repetidamente pelo cinema, podem significar uma abertura de compreensão quanto a comportamentos diferenciados entre países e povos. Recentemente, os Estados Unidos exportaram mais uma superprodução, "A Sentinela", que tratava do assunto "guarda-costas" – no caso, um típico “arrasa-quarteirão” produzido e vivido por Michael Douglas – da maneira mais particular ao cinemão de entretenimento típico daquele país. O herói se descabelava, apaixonava-se pela mulher do presidente da República – Kim Bassinger -, era traído por companheiros de ofício movidos pelas mais espúrias das razões, mas ressurgia incólume e mais forte do que nunca de um inferno, aparentemente, profundo e sem saída. Cito esse mas imagino interessante lembrar também de um filme um pouco mais antigo, "O Guarda- Costas", protagonizado pelo maior galã na ocasião, Kevin Costner – com direito ao mesmo tipo de bobagens e pieguices que balizaram esse último, mais recente e mais fresco na memória.

Vindo do cinema argentino é absolutamente natural se pensar que um filme, com assunto que gire em torno do mesmo tipo de protagonista - exercendo a função de segurança como ofício do dia-a-dia -, ganhará coloração e nuances distintas; isso desde sempre, pelo tipo de motivação que move o povo e a cultura local, por originalidade no modo de encarar a vida e seus problemas, e muitas diferenças mais. Que dizer então de um produto oriundo do país vizinho em época de “vacas gordas” - pela ótima fase – em seu cinema, com diretores surgindo e criando uma espécie de nova escola, que prescinde da grana exagerada para evidenciar que com boas idéias se podem realizar bons filmes. Sempre interessante lembrar, que tal movimento ressuscitador da sétima arte local surgiu no pior momento financeiro vivido pelo país em sua história recente, ganhou força e relevância internacional e, de quebra, foi alcunhado de “A Nova Onda”.

Temos "O Guardião", portanto, de Rodrigo Moreno, que realmente não se rende às facilitações tipicamente ianques, mesmo tratando de assunto similar. Rubén, (JulioChávez), é o guarda-costas de um ministro argentino e sua caracterização, que evidencia profissional de comportamento calado e isolado, possibilita imaginarmos um profissional perfeito para cumprir função que exige abnegação física e do ego, afora discrição total ante situações mais inusuais – que pululam cá,como pululavam nos exemplares norte-americanos. O filme inicia prometendo algo muito próximo do que se realiza de melhor no cinema local, com contenção de movimentos e reações perceptíveis do protagonista no mesmo grau de “baixa” intensidade que o diretor utiliza para posicionar sua câmera ou emendar seqüências na mesa de montagem. O filme caminha assim, portanto, meio caladão durante boa parte de seu percurso, como se fosse um incentivo ou reverência ao jeito introspectivo de Rubén. E nesses momentos, por essas opções, caminha bem. Mas o diretor Moreno resolveu dar uma pequena “estragada” em seu trabalho, quando optou por criar um pouco de movimento externo – não, nada parecido às opções americanas quando resolvem "criar movimento" ao menos, não mesmo -, porém o suficiente para quebrar a boa linha condutiva que traçava a película. Resgatou uma família meio acomodada no início do filme – que aparentemente não teria função mais incisiva no trabalho - e resolveu construir algumas cenas constrangedoras e desnecessárias com a presença dela. E aí, então, o diretor acabou por se “entregar” um pouco, quando deixou um tanto evidente que a sua opção pelo movimento mais próximo do estático seria, na realidade, todo um preparativo para um final suspeito e de teor evidente demais – acabou por passar a impressão de que teria se utilizado de um “modo operandis” específico, para emprestar a seu trabalho um certo tom “cool”, não tão sincero. Longe de ser um embuste à americana, se perde diante do que esperamos – mal acostumados que estamos - do atual cinema platino.
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