UM CARA QUASE PERFEITO:


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Original: Man About Town
País: EUA
Direção: Mike Binder
Elenco: Ben Affleck, Scott London, Rebecca Romijn, Mike Binder, Gina Gershon, Kal Penn, Adam Goldberg, Jerry O'Connell, Amber Valletta, John Cleese.
Duração: 96 min.
Estréia: 20/10/06
Ano: 2006


Uma comédia sem cara de comédia


Autor: Edu Fernandes

Um “Cara Quase Perfeito” é classificado como comédia, mas não chega ao objetivo principal desse gênero – fazer rir. A comicidade do filme está mais concentrada em um coadjuvante: o Dr. Primkin, professor de escrita de diários. Esse é o papel do veterano do grupo cômico Monty Python, John Cleese, cuja especialidade reside em interpretar tipos arrogantes – e é isso que ele faz nesse novo filme.

O protagonista, Jack, é vivido por Ben Affleck, e é sabido que o rapaz não nasceu para arrancar gargalhadas: basta lembrar dos fracassos das comédias de que participa, como é o caso de Menina dos Olhos. Já o diretor-roteirista-ator Mike Binder é experiente no gênero e chegou a trabalhar com os irmãos Wayans em 1994, gerando o fraco Blankman.

A temática de “Um Cara Quase Perfeito” só colabora para deixá-lo com menos cara de comédia – um filme que fala de auto conhecimento e solidão dificilmente consegue ser engraçado. Apesar disso, o tema é interessante e acaba por dar uma cara de drama ao conjunto. Cenas que deveriam ser hilárias acabam se tornando mais poéticas, por causa do contexto; em outras seqüências, qualquer proximidade que se tente com a comédia vai por água abaixo por causa da situação ameaçadora que vive o protagonista.

A edição arrisca em certos pontos. A divisão da tela em retângulos foi mal implantada e não consegue criar a linguagem pretendida, enquanto que os passeios virtuais que a câmera faz por Los Angeles são significantes e agilizam o ritmo.

Ao contrário do que acontece em outros filmes, como “A Garota da Vitrine”, a narração em off é utilizada de forma equilibrada durante o enredo. Graças ao diário de Jack, há uma justificativa para que tal recurso se faça presente e seja pertinente. Através de seus registros, o roteiro fica mais intimista e conduz as mudanças de atitude do protagonista. Moral da história: diário é um caderno no qual se escrevem segredos para que eles fiquem ao alcance de qualquer um.

Edu Fernandes é editor do site www.homemnerd.com.
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