PEQUENA MISS SUNSHINE:


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Original: Little miss Sunshine
País: EUA
Direção: Jonathan Dayton e Valerie Farise
Elenco: Abigail Breslin, Greg Kinnear, Paul Dano, Alan Arkin, Toni Collette, Steve Carell, Bryan Cranston, Marc Turtletaub, Beth Grant, Jill Talley.
Duração: 101 min.
Estréia: 20/10/06
Ano: 2006


"Pequena Miss Sunshine": Sundance + DeVotchka


Autor: Fábio Yamaji

O Festival de Sundance que acontece todo ano em Janeiro, em Utah (EUA), revelou uma talentosa geração de diretores nos anos 90, que hoje vive uma decadência criativa: Hal Hartley, Todd Solondz, Alexander Payne, Kevin Smith – pra citar alguns. Mas gerações posteriores de realizadores que surgem neste festival tratam de manter o gênero “cinema independente americano” – ou “filme de Sundance” – vivo. Com muito menos vigor, já que seus filmes – em grande parte - não passam de repetição do que deu certo anos atrás; e sobrevivem com um público fiel mundo afora (ou, ainda, conquistam novas gerações de cinéfilos). Confesso que apesar de tudo continuo curtindo alguns desses indies, como o recente “Eu, Você e Todos Nós” de Miranda July, ou mesmo este pequeno filme da dupla Jonathan Dayton e Valerie Faris.

Do ponto de vista da originalidade “Pequena Miss Sunshine” não acrescenta nada. Road-movies com simpáticos losers já foram produzidos aos montes (“Férias Frustradas”, com Chevy Chase, é a referência mais descarada do filme de Dayton & Faris). Nem a crítica à obsessão freak do americano em fazer de seus filhos miniaturas de manequins pra competição (com sex-appeal, inclusive) ganha a contundência com que merecia ser tratada. Ao contrário, ela (a obsessão) é encarada com uma cena passível de vergonha alheia, e digna de pastelão de novela das sete.

Mas do ponto de vista do entretenimento, “Sunshine” tem momentos de diversão. Basta desencanar da sua filosofia barata e da previsibilidade da trama (eu sei, é difícil, mas tente – vale a pena). Méritos para o competente elenco que, formado por atores com carreira em papéis coadjuvantes de filmes hollywoodianos, valoriza com graça o caráter insólito de algumas ótimas cenas. Alan Arkin e a combosa assumem metade destes momentos.

A grande e real surpresa, no entanto, está na trilha sonora. O som da banda americana DeVotchka faz toda a diferença para o carisma e para a alma do filme. Nada óbvio e bastante eclético, é uma improvável mistura de Goran Bregovic (trilheiro de Kusturica) com Ned Rifle (trilheiro e pseudônimo de Hal Hartley) e Gogol Bordello (“Uma Vida Iluminada”). Música cigana do leste europeu em registro minimalista, com momentos punk, folk e latino. Trabalha com violino, sousafone, piano, teremim, contrabaixo, acordeão, trompete, violões, bateria, bouzouki, assobios, vocais. E funciona lindamente. Só ouvindo pra ver. Colabora na trilha o canadense Michael Danna (dos filmes de Atom Egoyan).
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