DÁLIA NEGRA:


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Original: The Black Dahlia
País: EUA
Direção: Brian de Palma
Elenco: Josh Hartnett, Scarlett Johansson, Hilary Swank, Aaron Eckhart, Mia Kirschner, Fiona Shaw, Mike Starr, Amy Irving, Troy Evans, John Kavanagh.
Duração: 119 min.
Estréia: 06/10/06
Ano: 2006


"Dália Negra" - um mestre em plena forma


Autor: Leonardo Mecchi

De Palma é um virtuose, quanto a isso resta poucas dúvidas. A questão que muitas vezes é colocada por seus detratores é se tal domínio técnico é usado a favor de seus filmes ou em proveito próprio. A esse dilema provavelmente insolúvel, "Dália Negra" fornece numerosos exemplos para se defender ambas as teorias: o plano seqüência na grua que revela o crime que dá nome ao filme, o plano subjetivo que apresenta a família disfuncional da personagem de Hilary Swank, a câmera lenta no momento do assassinato do policial na escadaria. Para alguns, puro deleite visual. Para outros, um desnecessário exibicionismo técnico.

Outra acusação que persegue De Palma desde o início de sua carreira também encontra suficiente combustível neste filme: a do diretor que abusa de referências e homenagens a outros filmes e diretores. Do uso de trechos de "O Homem Que Ri", de Paul Leni, à citação de Dália Azul (filme que inspirou a alcunha do crime verídico no qual se baseia esta obra de De Palma), da inegável inspiração em "Crepúsculo dos Deuses" para a aparição final de Ramona ao cinema de rua exibindo "Anjo Diabólico", o clássico noir de Roy William Neill, exemplos não faltam para alimentar seus acusadores.

Mas para além desses estigmas e polêmicas, o que podemos tirar desta mais recente obra de Brian De Palma? Um atestado inegável de um artista em pleno domínio de sua linguagem, que nos entrega um dos mais belos filmes do ano e, desde já, um clássico moderno do cinema noir.

Para os amantes do gênero, o filme é um prato cheio. Intrigas, assassinatos, mulheres fatais, tramas intrincadas, climas soturnos, investigações e traições, tudo está lá. Mas como sempre nos filmes de De Palma, nada é exatamente o que parece. A vítima de ontem torna-se o suspeito de amanhã e o jogo de espelhos e sombras está em todo lugar. A dificuldade em se encontrar a verdade por trás da imagem que vemos é, na realidade, o principal tema de "Dália Negra", algo evidente na cena em que Bucky testemunha o tiroteio em que se envolve seu parceiro. Em uma cidade concebida para tornar o sonho realidade, o quanto devemos confiar naquilo que vemos?

Fica o alerta para aqueles que costumam dar demasiada importância e atenção ao desenrolar da trama e seus mistérios: há sérios riscos de que acabem decepcionados. Não apenas porque no último quarto do filme De Palma acumula revelações numa velocidade atordoante (e elas pouco ajudam o espectador a compreender todas as implicações do que viu nas últimas duas horas), mas também – e principalmente – porque o que importa verdadeiramente ao diretor são as imagens. É do poder dessas imagens em esconder e revelar a verdade que De Palma tira a força de seu belo e polêmico cinema. Para os que souberem apreciá-lo, é um prato cheio.
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