MURDERBALL - PAIXÃO E GLÓRIA:


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Original: Murderball
País: EUA
Direção: Henry Alex Rubin e Dana Adam Shapiro
Elenco: Documentário
Duração: 85 min.
Estréia: 29/09/06
Ano: 2005


Oh Canadá


Autor: Érico Fuks

Murderball era o nome da prática de rúgbi por deficientes físicos, isso nos primórdios desportivos. Este documentário homônimo apenas menciona as origens da competição, mas foca na atualidade. Tudo indica que surgiu nos Estados Unidos, o que explica boa parte da hegemonia do esporte no país e a invencibilidade durante vários anos seguidos.

O filme elenca alguns jovens atletas estadunidenses, movidos por diferentes paixões. Segue uma cartilha convencional de documentar. Dá algumas explicações médicas sobre a paraplegia, que esclarece didática e resumidamente que a mobilidade de órgãos e músculos é proporcional à centimetragem da altura da lesão na coluna vertebral. Foca nos diferentes comportamentos e personalidades de alguns craques da seleção, dando um pouco mais de ênfase no esquentadinho Zupan. Passa por alguns instantes de convívio social, com depoimentos individuais sobre a vontade de vencer os preconceitos e algumas questões sobre a sexualidade de ordem prática. Até aí tudo bem, nada demais.

Mas o filme muda de ritmo quando coloca o fato de um ex-campeão, Joe Soares, troféus e troféus exibidos em sua sala, não ser mais aceito pela equipe dos EUA. Inconformado com sua não-admissão, vai para o Canadá e torna-se técnico da equipe do país do gelo. Aí “Murderball” vira um panfleto ressentido, rancoroso. Mescla a trajetória de recuperação de um atleta considerado ultrapassado e o sentimento de traição pelos xiitas do país do Bush. “Murderball” troca a dificuldade de locomoção e os desafios pessoais pela luz magoada do império estadunidense em vencer campeonatos. Meio que vira casaca, inverte sua posição de cinegrafista pela de torcedor. O hino do Canadá cantado em alguns momentos funciona mais como colinho ao maior abandonado do que um momento de glorificação nacionalista. “Murderball” apresenta o exílio como cura para o remorso, descartando qualquer abordagem mais minuciosa sobre a tal atrofia miológica. Nem South Park conseguiria ir tão a fundo nessa resignação.
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