LUCAS, UM INTRUSO NO FORMIGUEIRO:


Fonte: [+] [-]
Original: The Ant Bully
País: EUA
Direção: John A. Davis
Elenco: Animação
Duração: 88 min.
Estréia: 07/09/06
Ano: 2006


Cumpre o que promete


Autor: Cid Nader

Como não tirar uma lição de moral, se possível? Os norte-americanos, aparentemente, vivem tentando expira suas culpas através do cinema. Qualquer produção de tom mais familiar ou infantil - leia-se animações e afins -, tende a conter dentro de seu texto algo mais "nobre" a ser repassado para ser aprendido pelos filhos da grande nação-família. Por mais "marginais" que sejam os personagens retratados nas produções bancadas pelos grandes estúdios, por mais politicamente incorreta que sejam as suas manifestações no dia-a-dia - tirar melecas do nariz, soltar "puns" com cara de "não fui eu", fingir ou trapacear sem grandes conseqüências - no final da história, bem lá no final mesmo, surge, invariavelmente, a famosa "moral" de fim de contos.

O "pior" de tudo é que boa parte dessas produções acaba resultando em bons trabalhos, repletos de sacadinhas, com personagens - humanos ou não - construídos com um rigor muito aparente de que foram estudados a fundo antes de virarem "figuras" cinematográficas, piadas e situações muito elaboradas e bem resolvidas, e empatia a toda prova com a platéia - sem deixar nenhum tipo de dúvida quanto à adesão dela ao espírito do personagem. Dos criadores da série televisa, Jimmy Neutron, com toda a pinta e semelhança que o trabalho de computação gráfica empresta, tanto ao evento televisivo quanto ao produto cinematográfico, surge agora essa pequena pérola: "Lucas, Um Intruso no Formigueiro".

No início, a aparência computadorizada dos personagens causa um certo incômodo; não é muito agradável ao primeiro olhar - aliás, um problema que se repete em filmes realizados com esse tipo de recurso, quando querem alcançar semelhanças físicas mais próximas da realidade do que de desejos, por exemplo. As situações vão tomando volume, ganhando corpo e, com o passar do tempo, quando a qualidade do humor vai sobressaindo e tomando conta da história, o filme passa a ganhar a simpatia do público, arrancando risos admirados pela qualidade das situações criadas, pelo inusitado "realismo" das situações - fruto de um bom estudo sobre o tema: formigas -; sem deixar nenhum tipo de dúvida.

O legal dessas animações, basicamente, é que elas não são comportadas antes da aproximação do final, e os personagens agem da maneira mais errada possível, quando necessário, ou atrapalhada, ou "despirocada". Lucas tentando subir algo na vertical - coisa fácil para formigas - é cômico como poucas vezes se vê no cinema. Quando aparece vestido com trapos, após ter ingressado no formigueiro por um passe de mágica, remete-nos a situações dignas de alguns momentos do melhor humor do princípio do cinema. Nesses momentos do filme onde tudo ainda é permitido, acontecem situações de ciúmes e inveja, e os personagens não fazem muito para parecerem honestos. Os outros bichos que gravitam em torno do formigueiro e de sua história são os responsáveis pelas situações mais engraçadas - impossível alguém se conter quieto e imóvel sobre a cadeira n acena que se desenvolve dentro de um sapo.

Enfim achega o momento do bom comportamento da trama ao final, do bom exemplo, da moral a ser passada. E aí todos já terão se divertido o suficiente para achar que isso soa como caretice pura de uma sociedade culpada. O legal mesmo é encarar tudo com muito humor - entre-trechos adrenados e finais moralizantes -, lembrar que atores famosos, aparentemente, também se utilizam dessa possibilidade de poder dublar tais criaturas como uma espécie de expiação ou auto-análise boa, e curtir. Porque é um grande trabalho e, acima de tudo, muito inteligente.
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