A DAMA NA ÁGUA:


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Original: Lady in the Water
País: EUA
Direção: M. Night Shyamalan
Elenco:
Duração:
Estréia:
Ano:


Constrangedor


Autor: Laura Cánepa

Ao contrário de meus colegas de site, não tenho muito a dizer sobre "A Dama da Água". E o motivo é simples: se esse filme não trouxesse a marca de M. Night Shyamalan, é provável que nunca tivesse sido produzido, e muito menos lançado nos cinemas. Não foi por acaso que os executivos da Disney mandaram o diretor embora quando receberam o projeto: ele é simplesmente ridículo.

Nada funciona ou convence em "A Dama da Água". Do roteiro aos efeitos especiais, tudo parece fora do lugar. E não adianta justificar as escolhas do diretor pelo simples fato de terem sido auto-conscientes ou "propositais", pois não há "ironia em relação aos clichês do cinema de gênero", "alegoria da luta pela paz" ou "assumida ingenuidade" que justifique tanta bobagem. A meu ver, Shyamalan simplesmente se deixou levar pelos elogios que sempre recebeu e não notou que estava fazendo um filme ruim.

Começando pelos protagonistas: Paul Giamartti, posando (de novo) de coitadinho e tentando segurar uma gagueira pessimamente interpretada, não traz qualquer novidade. A insossa Bryce Dallas Howard, com seu cabelo que muda de cor a cada cena e com uma irritante carinha de santa, não emociona com suas dúvidas existenciais. A "politicamente correta" multiplicidade étnica do condomínio onde se passa a história serve apenas como caricatura de latinos, orientais e outros "estrangeiros". O crítico de cinema antipático, escalado "metalingüisticamente" para incentivar a cumplicidade entre o espectador e uma narrativa repleta de clichês, não faz o menor sentido. E o pior de tudo: o próprio Shyamalan em cena como o salvador do planeta (ou melhor, como inspirador intelectual de um presidente americano que vai salvar o planeta). Que conjunto medonho!

Mas tem mais. Tem também o (arremedo de) roteiro. É constrangedor assistir a um filme que fica tentando justificar sua própria existência a cada diálogo, acreditando que o espectador deve se deixar seduzir por um pretenso "tom de fábula" (na verdade, um recurso para disfarçar uma historinha pra lá de mal contada). E como se isso não bastasse, ainda lança mão de uma estratégia primária e desonesta: o uso de elipses para encobrir a inverossimilhança absoluta da história. (Tipo: se eu sei que um personagem jamais acreditaria na história que o outro vai contar, eu simplesmente pulo a cena em que eles teriam que conversar para não estragar o andamento da trama. Com isso, nenhuma coerência é exigida dos personagens.)

Enfim, é difícil crer que o mesmo cineasta que realizou "Sinais" ou "A Vila" faria um filme tão passível desse tipo de crítica. Afinal, se os filmes de Shyamalan sempre tiveram esse aspecto esquemático, forçado e repetitivo de "A Dama da Água", sua qualidade era exatamente a de saber disfarçar tão bem essas caracteristicas a ponto de saírmos satisfeitos com sua engenhosidade em nos enganar. Desta vez não funcionou.
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