BUENA VIDA DELIVERY:


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Original: Idem
País: Argentina /França /Holanda
Direção: Leonardo Di Cesare
Elenco: Ignacio Toselli, Moro Anghileri, Oscar Nuñez, Alicia Palmes, Sofia da Silva, Ariel Staltari, Pablo Ribba.
Duração: 95 min.
Estréia: 18/08/06
Ano: 2003


Uma boa estréia


Autor: Cesar zamberlan

Estréiam em São Paulo nesse final de semana, três filmes de diretores argentinos. Um do famoso Alejandro Agresti que filma fora da Argentina há muito tempo e faz seu primeiro filme nos EUA, “A Casa do Lago”, o outro de Marcelo Pynero, conhecido por aqui por “Plata Queimada” e que estréia com “O que você faria” e o terceiro de um diretor menos conhecido, cujo nome ainda não foi decorado e exige uma visita ao google, visto que não acho o material promocional do filme. O nome do diretor é Leonardo Di Cesare, diretor nascido em 1968, portanto, com 38 anos, que faz seu primeiro longa, e além da nacionalidade, compartilha com Agresti uma característica que e bem peculiar ao diretores argentinos cujos filmes têm sido lançados em São Paulo, ou seja, o dom de narrar bem uma história, sem cacoetes televisivos como ocorre no Brasil e conseguindo transitar até com gêneros mais populares, como a comédia, sem cair no popularesco.

O filme de Leonardo Di Cesare é “Buena Vida Delivery” de 2003 que retrata a história de Hernán, um jovem motoboy que mora sozinho numa casa, já que sua família resolve tentar melhor sorte na Espanha, e se envolve com uma bela frentista, chamada de Pato, a bela Moro Anghileri, alugando um quarto da casa para ela. Tudo vai bem, até que a família de Pato chega a casa, vai ficando, se apossa, transformando a vida de Hernán e a casa que vira uma fábrica de churros.

A invasão da casa, a desordem causada a vida de Hernán, a falta de lei, de amparo legal ou social, a situação Kafkaniana até, retrata um momento complicado da vida Argentina: o desemprego, a miséria e, acima de tudo, a falta de perspectiva em relação ao futuro do país. Nesse sentido, o filme dialoga com vários outros títulos argentinos recentes que de uma forma ou outra, eram impregnados por essa crise e a tematizam.

A diferença é que o filme retrata essa realidade de maneira sarcástica, transformando os personagens em reféns de uma situação surreal, na qual a sobrevivência de uns ocasiona a desgraça de outros. E isso sem vilanizar um personagem ou transformar o outro num herói, são todos, ao seu jeito, sobreviventes. Homens e mulheres que buscam o seu espaço, seu trabalho e, se sobrar tempo, a chance de ser feliz.

Brilhante a construção da personagem de Hernán, de Pato e do pai desta, vivido por Oscar Nuñez, numa atuação maravilhosa, malandra e sofrida. Além de ter encontrado uma boa história, Leonardo Di Cesare achou os atores certos e soube manter o tom do filme o tempo todo. Vale a pena dar uma olhada descompromissada.
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