OBRIGADO POR FUMAR:


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Original: Thank You for Smoking
País: EUA
Direção: Jason Reitman
Elenco: Aaron Eckhart, Maria Bello, Cameron Bright, Adam Brody, Sam Elliott, Katie Holmes, David Koechner, Rob Lowe, William H. Macy, J.K. Simmons.
Duração: 96 min.
Estréia: 18/08/06
Ano: 2006


O machismo é a última fronteira


Autor: Laura Cánepa

O cara pode ser lindo vendendo cigarro para o menino canceroso. Charmosésimo discutindo quem mata mais gente no planeta: ele ou seu amigo defensor de armas? Amável e solidário com sua colega que morre de medo das pesquisas sobre o efeito do álcool na vida intra-uterina. Inteligente e espirituoso subornando um moribundo na frente do filho. Nada disso pode ser pior do que a jornalista que usa o sexo para subir na vida, certo?

É mais ou menos essa a visão de mundo que, no final das contas, traz o filme "Obrigado por fumar", trabalho de estréia de Jason Reitman (filho de Ivan Reitman) na direção. Mas, apesar da indisfarçável chovinice, o filme até que tem coisas bem legais.

A começar pelo protagonista, o debochado Aaron Eckhart, defendendo com inteligência seu personagem pra lá de controverso: o "Mefistófeles do Século 21" Nick Naylor, lobista da indústria de cigarros. Também o time de coadjuvantes (entre eles, um de luxo: Robert Duvall) está corretíssimo e bem dentro do clima cínico proposto pelo roteiro, que foi baseado no livro homônimo de Christopher Buckley, lançado em 1994.

A direção também acerta a mão ao contar a história de maneira bastante simples e linear, sem muitas firulas, evitando cansar ou confundir o espectador. Enfim, é tudo muito bem orquestrado, num clima de brincadeia inteligente que ironiza a histeria norte-americana em torno da defesa da saúde e do capitalismo ao mesmo tempo - algo irreconciliável, segundo o filme e o seu anti-herói, Nick Naylor.

Numa safra péssima como a que vem vindo de Holywood em 2006, "Obrigado por fumar" até consegue lá o seu espaço. Mas, da mesma forma que outro filme bem interessante em cartaz, "O que você faria?", parece que toda a inteligência mobilizada para criticar o mundo capitalista não consegue perdoar as mulheres bonitas que usam o que têm de melhor para subir na vida. Essa prerrogativa, mesmo aos olhos dos pretensos progressistas do século 21, ainda é masculina...
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