STAY ALIVE - O JOGO DA MORTE:


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Original: Stay Alive
País: EUA
Direção: William Brent Bell
Elenco: Jon Foster, Samaire Armstrong, Frankie Muniz, Jimmi Simpson, Wendell Pierce, Milo Ventimiglia, Sophia Bush, Adam Goldberg,
Duração: 85 min.
Estréia: 18/08/06
Ano: 2006


"Stay Alive - Jogo Mortal" - perigo


Autor: Cid Nader

Os criadores de filmes de horror parecem estar abdicando de qualquer tipo de sutileza no momento em que imaginam qual a melhor maneira de apavorar a molecada. Esse público alvo atual - ao menos no modo aparente de pensar da indústria -, formado basicamente por jovens "adrenados" por várias canais, necessita de sustos que chacoalhem, que sejam perceptíveis ao olhar, à audição, e quase que ao tato e olfato. As telas estão ficando manchadas pelo sucessivo e ininterrupto jorrar de sangue proveniente das últimas produções a que tive oportunidade de presenciar. O tal modismo tomou força por um tipo de horror originário dos países do extremo da Ásia - especialmente do Japão - que perceberam antes dos outros que o mundo atual está meio que refratário a "sustos lúdicos", provocados por sugestão ou pequenos detalhes. Obviamente dá para se compreender tal dedução dos realizadores quando nos deparamos, sentados em frente aos televisores, no horário das refeições, com o desfilar na telinha daquelas singelas imagens de barbaridades cometidas por pequenas e quase particulares guerras, rebeliões em presídios com cabeças despencando muro abaixo, e outras coisinhas mais. A criançada, que já vem embalada desde o berço com tão agressiva melodia, aparentaria necessitar cada vez mais de doses cavalares de estupidez para ter os seus sentidos abalados. Mas o horror importando do extremo oriente, tem algumas coisas a mais na sua composição, que eleva o nível dos sustos praticados para algo a mais do que o nauseante espetáculo oferecido por algumas produções oportunistas.

"Stay Alive - Jogo Mortal", segue quase tudo de pior que tal modismo ditou como norma a ser seguida. Tem sangue em excesso, corpos mutilados e despedaçados, sustos - ou tentativas de - provocados por barulhos repentinos (telefone tocando, repentinamente, é manjadíssimo), vultos que passam velozmente e reparados por cantos de olhos... O diretor William Brent Bell, pensou em algo mais para seduzir e determinar qual público buscou ao pensar no filme: toda a trama se desenvolve em torno de um jogo de computador inédito, para ser disputado online, com efeitos e caminhos desconhecidos pelos competidores que se vêem envolvidos quase que involuntariamente por ele. Computador, internet, jogos online: está escolhida a audiência. Para piorar um pouco mais, a garotada cooptada para protagonizar o filme é muito ruim atuando. Talvez por culpa do diretor, encarnam todos os piores cacoetes e acabam por atuar de maneira a caracterizarem caricaturas da juventude. A cartilha que rege tal tipo de filme é seguida à risca, até, para determinar quantos e quais sobreviverão às maldades emanadas da tela do computador - se alguém tiver a paciência, poderá perceber que em outras produções similares os números e características físicas dos que morrerão ou dos que perecerão são muito semelhantes; muito parelhas.

Mas o filme não é totalmente perda de tempo. Para aqueles menos pacientes - os "super-adrenados" -, os que não gostam de preâmbulos ou enrolação desnecessária, o diretor W.B.Bell não se faz de rogado e não desperdiça os minutos. Não fica machucando de leve a pele, com uma lâmina de barbear gasta, para obter algumas poucas gotas de sangue enquanto guarda para mais tarde os cortes mais profundos. Ele já vai, desde o início, direto com a navalha na jugular do espectador que busca o sangue em jorro; sem nenhum tipo de frescura.
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