ALMAS REENCARNADAS:


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Original: Rinne
País: Japão
Direção: Takashi Shimizu
Elenco: Yûka, Takako Fuji, Mantarô Koichi, Marika Matsumoto, Tomoko Mochizuki, Kippei Shiina
Duração: 95 min.
Estréia: 18/08/06
Ano: 2005


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Autor: Laura Cánepa

Os filmes japoneses sobre espíritos vingativos existem há décadas. As lendas nacionais sobre essas mesmas criaturas, há séculos. Talvez milênios. É muito provável, então, que essas histórias façam muito sentido na terra do sol nascente, mas não devemos nos iludir quanto à qualidade média das suas versões cinematográficas: a maioria delas é absolutamente descartável e não traz novidade alguma à figura sempre batida das meninas-mulheres de cabelos compridos, com as orelhas saindo para fora dos fios, expressões faciais apavorantes e péssimas intenções.

"Almas Reencarnadas", de Takashi Shimizu (diretor do ótimo "The Grudge") é um exemplo dos filmes "burocráticos" sobre os tais espíritos vingativos. Ao contrário de "Audition" (de Takeshi Miike) ou "Seance" (de Kioshy Kurosawa), por exemplo, está longe de ser um filme obrigatório, mesmo para fãs do gênero. Mas também não é um filme totalmente desinteressante.

De mesma maneira que em "O Chamado" e no apavorante filme tailandês "Espíritos", a tecnologia de captação de imagens do homem moderno é mobilizada pelo mundo do além para dizer aos vivos que nenhum mal passa impune, e que o passado está mais próximo do que se gostaria. A fantasmagoria das imagens é levada ao extremo de seu potencial perturbador, e o mundo dos vivos é obrigado a recorrer à mesma tecnologia artificail para lidar com os horrores sobrenaturais.

Em "Almas Reencarnadas", esse tipo de abordagem dá origem a um plot bem interessante: um jovem diretor deseja fazer um filme que irá reconstituir os eventos ocorridos em um hotel 30 anos antes, quando um cientista assassinou onze pessoas sem motivo aparente. Com o início da produção, o elenco envolvido vai, aos poucos, descobrindo que tem ligações profundas com as vítimas e com o seu algoz.

A melhor sacada do filme é relacionar as cenas filmadas "nos dias de hoje" com os registros de memória e com o filme 8mm gravado pelo próprio assassino durante sua orgia de sangue. O que decepciona é o uso bastante preguiçoso dessa mesma idéia e a pouca eficácia da "atmosfera de medo" que é construída (tudo acontece muito rápido e de maneira bastante óbvia). Fora três ou quatro cenas memoráveis, tudo passa sem qualquer estranhamento para quem já se acostumou com os filmes de terror orientais mais populares.

Emfim, trata-se de um filme médio que pode interessar aos aficcionados no gênero. Mas podia ser muito melhor.
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