FAVELA RISING:


Fonte: [+] [-]
Original: Idem
País: EUA/Brasil
Direção: Jeff Zimbalist e Matt Mochary
Elenco: Documentário
Duração: 80 min.
Estréia: 11/09/2006
Ano: 2005


Favela Rising - institucional


Autor: Cid Nader

Jeff Zimbalist e Matt Mochary vêm dos Estados Unidos para filmar a violência urbana instalada nos morros, nas favelas de uma grande cidade latino-americana, no caso o Rio de Janeiro, com aquele olhar do estrangeiro branco, meio paternalista, meio superior, mas que na realidade está sempre pensando: olha-do-que-estamos-livres! É fato notório e já devidamente institucionalizado exercícios paternalistas/apiedados manifestados pelos colonizadores; isso ao longo de diversas épocas da humanidade. No caso dos Estados Unidos - colonizadores à maneira atual - quando tal paternalismo é exercido num nível superior, de governo para governo, costuma vir precedido por uma guerrinha básica, onde a idéia principal é a de se acabar com a estrutura material básica de um país - governado pelo "mal" - e a emocional de seu povo. Após isso, o braço acolhedor do padrasto - falso pai - enlaça o colonizado subjugado, alimenta-o na boca, faz cafuné, e estabelece os "verdadeiros caminhos" que levam à felicidade; ou ao paraíso.

Quando tal exercício de paternalismo é praticado em níveis de menor importância diretiva, mais especificamente pelo ramo das artes, os resultados, se olhados com calma, só confirmam esse inato posicionamento de superioridade dos povos mais bafejados pela sorte. A dupla ianque veio ao Brasil para filmar a favela de Vigário Geral - um retrato que revela as mesmas imagens das outras favelas da cidade -, dos traficantes e dos policiais corruptos. Rechearam o documentário de imagens de violência, com moleques armados, vigiando ou andando, ostensivamente, em grupos. Mostraram policiais extorquindo, estapeando indiscriminadamente traficantes e trabalhadores. Bons tempos em que - também com olhar desvirtuado - os morros eram vendidos como o maior exemplo do pitoresco, da boa alma de nosso povo, como lugares privilegiados por emoldurarem aa paisagens mais representativas do país; lugar de samba e pobreza sim, mas muito pertinho do céu.

Jeff e Matt mostram, também, esse lado muito maior, das famílias que lutam para sobreviver, dos trabalhadores. Fazem questão que o mundo perceba que essa boa gente ainda existe por ali e, nesse momento, até muitos de nós, nativos e com o mesmo sangue correndo nas veias, perceberemos que olhamos lá para cima com olhar equivocado.

Fazem do documentário uma espécie de vídeo institucional, pela ênfase no enfoque dado ao grupo/movimento social Afro Reggae – principal e evidente motivo da realização. Aparentemente, os rapazes fazem um trabalho bacana, mas soa um tanto estranho o fato de estrangeiros desembarcaram por aqui para propagandeá-los. Algo esquisito.

Os realizadores erram, além do mais, pelos excessos nos modismos: apresentam os convidados sob cortes e cortes, montagens e montagens na edição, como tentativa de imprimir ritmo - um simples take, normalmente, aparentaria mais eficiência, passando mais credibilidade. E erram a mão quando resolvem que é hora de demonstrarem medo mostrando, num dado momento, desnecessariamente, a feição assustada do tradutor em meio a situação recorrente de violência. Seria razoável pela relevância do assunto, se não fosse por intenções estranhas mal camufladas, se não fosse feito para americano ver e se não apostasse nessa maldita montagem fragmentada - desnecessária.
Leia também: