A PROVA:


Fonte: [+] [-]
Original: Proof
País: EUA
Direção: John Madden
Elenco: Gwyneth Paltrow, Anthony Hopkins, Jake Gyllenhaal, Hope Davis, Danny McCarthy, Gary Houston, Tobiasz Daszkjewicz.
Duração: 100 min
Estréia: 04/08/06
Ano: 2005


Não merece mais do que um “C”.


Autor: Cid Nader

Parece que o casamento artístico entre o diretor John Madden e a atriz Gwyneth Paltrow continua firme, passados tantos anos de seu primeiro trabalho em conjunto, “Shakespeare Apaixonado” (1998). A atriz foi inclusive indicada para o prêmio de melhor atriz pelo Globo de Ouro, repetindo indicação do mesmo peso por conta do trabalho anterior, pelo Oscar. O filme é baseado numa peça de sucesso, onde a própria Gwyneth desempenhou o papel de Catherine, que repete novamente, agora, no cinema. John Madden é daqueles diretores que não aparece nas listas dos melhores ou dos piores do cinema americano; também não é reconhecido como um diretor requisitado pelos grandes produtores quando a aposta é num grande sucesso financeiro, mas tampouco é considerado um autor de matiz mais pessoal, mais “artística”, mais autoral – com o perdão da redundância.

A cena inicial de “A Prova”, de composição absolutamente onírica, teve um par tremendamente superior, recentemente, no belíssimo filme francês, “Reis e Rainha”. No caso do filme gaulês a cena se dava em um momento dos mais dramáticos e implausíveis – pelo teor e virulência utilizado pelo falecido pai da atriz visitada em sonho – da história do cinema recente; era carregado de uma “novidade narrativa” impressionante, aditivada por uma equação de luz e enquadramento que nunca pareceria mais especificamente pensada, fosse ela utilizada em outra ocasião. Quando digo haver paridade entre uma cena e outra, relato um momento em que a manifestação paterna se dá por outras vias, não tão usuais, com a diferença de que no caso do trabalho americano, a manifestação se dá com o intuito de fazer com que Catherine se mova da rotina depressiva em que se encontra – no dia específico de seu aniversário -, para partir em direção ao desejo de viver, que ameaça abandonar. A coincidência, entre os dois casos, ganha aquele reforço do contorno nada superficial no relacionamento, pais/filhos. É um início que promete, e emocionante.

A história fala de um gênio matemático, Robert (Anthony Hopkins), reconhecido mundialmente por ser um gênio, de seu processo de esclerose, o recolhimento à vida doméstica ao lado da filha, - que também não é das pessoas mais normais do mundo -, o esquecimento por parte do mundo acadêmico, sua morte e a possível descoberta de uma nova e revolucionária equação que poderia mudar os rumos das ciências exatas. Existe uma filha, Claire (Hope Davis), de perfil mais ganancioso, menos altruísta, mais “normal”, que reaparece com a firme intenção de vender a casa paterna, recolhendo a irmã do “insano” mundo do isolamento ao qual ela se recolheu, e que não medirá esforços para cumprir o papel de vilã da película. Montado o circo, a aposta forte do diretor se deposita, sem pudor ou tentativa de enganar ao público, nas atuações individuais de cada um dos atores principais. Se pudéssemos entender o cinema como a arte da interpretação, o filme teria traçado um bom caminho – mas digo bom, não excelente. Paltrow dá conta do recado de maneira tranqüila e sem sustos ou virtuosismos dispensáveis. Hopkins, contido, mostra-se um ator confiável e sereno, desempenhando um papel que poderia, facilmente, tender ao caricato.

Mas, cinema não é simplesmente a arte da atuação. Penso inclusive o contrário. Imagino ser sempre possível a concretização de um bom trabalho, mesmo quando não sustentado por boas interpretações. Não consigo imaginar um grande trabalho, jamais, quando encaramos um diretor acomodado. Não que John Madden tenha obtido um resultado totalmente descartável. Mas, a partir do momento em que fica óbvia a sua opção em conduzir as possíveis “insanidades” contidas nas intenções do texto original de maneira “dramático/cartilhanesca”, trilhando os caminhos menos sinuosos para chegar a um final que – mesmo não tão comum – abasteça o público menos exigente de boas esperanças, as expectativas nunca poderão ser preenchidas a contento; não teremos algo que nos remeta às alturas; que nos acaricie o intelecto mais exigente. Um filme comum é o que resulta, de uma aposta muito conservadora.
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